Canvas: Este suíço recusa ser canivete para os fazedores de todo o mundo

Esqueça o tradicional plano de negócios: o modelo Canvas quer pôr todos os empreendedores a olhar para os detalhes como se fossem os segredos do sucesso.
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Um dia, os empreendedores serão cirurgiões de negócios: detalhistas, de rápida reação e com pouca margem para falharem, explica Alexander Osterwalder. O cientista político - fundador do modelo Canvas, um dos mais recentes paradigmas entre os fazedores, usado em incubadoras e aceleradores de start-ups em todo o mundo - usa a imagem de um canivete suíço para explicar aquilo que o seu modelo não é.

O Canvas (Business Model Canvas), descarregado online por milhões de fazedores, é antes uma caixa de ferramentas que adequa cada peça a um detalhe do negócio. Como se cada detalhe fosse pensado de forma particular para detetar e corrigir um eventual erro. "Não dizemos às pessoas que têm de fazer isto ou aquilo, não é uma prescrição. Mas ajudamos a estruturar o pensamento e a moldar e tornar as ideias tangíveis", explica o fundador do modelo ao Dinheiro Vivo.

Alexander não acredita no passado como solução para o futuro e põe em causa o modelo de negócio tradicional. "Um investidor que pede um business plan está preso no século passado. Qualquer banco que o peça está a usar o indicador errado. Um professor que o ensine aos alunos como única alternativa devia ser despedido, porque não está a par das últimas. Com o Canvas podemos testar se as coisas funcionam e perceber rapidamente a necessidade de fazer alterações. Os business plan são perdas de tempo", afirma.

Foi durante o doutoramento em Sistemas de Informação que Alexander percebeu que o seu trabalho tinha de passar por melhorar a forma como se pensavam e desenhavam negócios, grandes ou pequenos. O suíço não acreditava que se usassem os modelos dos anos 80, "completamente desadequados à realidade atual e ao mundo em permanente mudança". Em 2004, começou a desenvolver os estudos que iriam dar origem ao Canvas e à sua derivação para o Lean Canvas, modelo usado pela Amazon, Dell e Intel. "Queria criar uma forma mais eficaz de fazer negócios, mais estratégica na criação de valor." O que no fundo Alexandre queria era explicar em desenhos aquilo que explica em palavras, no livro Business Model Generation (traduzido em mais de 30 línguas e vendido online).

"O mundo está sempre em movimento, o que torna as coisas mais complexas. Precisamos de ferramentas que tornem as nossas ideias mais simples e perceptíveis, partilhando uma linguagem comum. É a ideia da mesa de desenhar do arquiteto. Eles têm tecnologia que os ajuda a fazer o trabalho, mas quando desenham fazem as coisas à mão. Pensámos que podíamos fazer a mesma coisa para os negócios", diz.

Mas voltando à caixa de ferramentas: Alexander assegura que não há melhor maneira de pregar um prego do que com um martelo. Assim é num negócio. "Tentamos pregar os pregos numa parede durante muito tempo sem martelo, sem ferramentas. Nunca se sabe qual é o modelo que funciona. Mas podemos dar às pessoas uma melhor ferramenta para pensarem de maneira mais estruturada, levantar dúvidas, fazer que as ideias sejam compreendidas." No livro, são mais de 470 "praticantes" que colaboram para desenhar e validar o modelo. "Há um certo glamour à volta do empreendedorismo. Toda a gente pensa que quer ser empreendedor. Acho que todos podem ser, uns melhor, outros pior. Mas o que a maior parte das pessoas não sabe é que é muito difícil ser empreendedor. A realidade do empreendedorismo é trabalho duro: é divertido mas é sobretudo trabalhar no duro."

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