O lixo dos oceanos transformado em peças únicas e irreverentes

Foi precisamente em setembro de 2015 que foi aprovado, pelos líderes dos Estados-membros das Nações Unidas, a adoção da Agenda 2030 que contempla 17 objetivos para o Desenvolvimento Sustentável. Passados três anos, um dos pilares deste desenvolvimento corre grande risco para o bem-estar populacional e para as gerações futuras.

Acreditamos que tudo aquilo que somos se deve a alguém, seja aquilo que nos rodeia, que nos define enquanto seres humanos ou à educação que levamos. Facto é que, a par disto, também as questões ambientais nos definem: a nossa saúde, estabilidade, alimentação e uma data de fatores que tantas vezes esquecemos.

Porque é que os nossos filhos já não podem mergulhar sobre os rios que desaguam ao pé de casa? Porque é que as quatro estações estão a transformar-se e, hoje, o "novo" verão prolonga-se até outubro e o novo "inverno" até maio? No futuro, os nossos netos saberão que existia uma primavera mais colorida e um outono mais acastanhado?

É assustador vermos a poluição a flutuar sobre as nossas águas. E é a pensar na necessidade de transformar esta realidade que a fundação Ecoalf criou o projeto Upcycling the Oceans que tem como objetivo recolher o lixo do fundo do mar e reutilizá-lo em roupa.

Parece estranho, mas se pensarmos que as redes de pesca ou as garrafas de plástico servem para fabricar o fio de nylon, as cápsulas de café trazem aos tecidos as qualidades de resistência UV e os pneus oferecem solas para os chinelos, talvez pensemos sobre as coisas de uma outra forma.

O uso excessivo de recursos naturais no mundo e a quantidade de resíduos produzidos pelos países industrializados foram os fatores que levaram o fundador Javier Goyeneche a criar esta marca. Os tecidos e produtos das novas gerações devem ser vistos como uma nova moda que integra tecnologia inovadora capaz de criar roupas e acessórios feitos inteiramente de materiais reciclados.

A moda é relativa e somos nós que a transformamos por isso, andar bem vestido a partir de resíduos é possível e é uma tendência que vai certamente ajudar a livrar os oceanos do lixo - "Because there is not a Planet B".

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