Vodafone lança serviços 
de cibersegurança, cuidados de saúde remotos e plano B para desastres
Pedro Gomes Almeida

Vodafone lança serviços de cibersegurança, cuidados de saúde remotos e plano B para desastres

A segunda edição do Vodafone Open Day, que decorreu no Centro de Congressos do Taguspark, foi palco para a introdução de três novos serviços para clientes empresariais em Portugal.
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Na era da Inteligência Artificial e da complexidade tecnológica, o uso da tecnologia em benefício dos negócios e da vida das pessoas é um desafio importante. A forma de lidar com ele foi um dos temas centrais da segunda edição do Vodafone Open Day, que decorreu no Centro de Congressos do Taguspark com cerca de 600 participantes e serviu para lançar várias novas soluções. 

“O acesso à tecnologia hoje é um dado adquirido”, disse o gestor das áreas de Cloud e Security da Vodafone Business em Portugal, Nuno Bastos, num dos painéis do evento. “O desafio não está em ter acesso, está em como é que a tecnologia pode ser capitalizada ao serviço dos negócios”.

Para isso, é preciso que as redes que sustentam as empresas sejam seguras e resilientes, duas das áreas em que a operadora lançou novidades. 

“Queremos simplificar o acesso às melhores tecnologias”, resumiu a diretora de produtos e serviços da Vodafone Business, Filomena Pereira, que apresentou as novas soluções no evento. “A nossa ambição é ser o parceiro de confiança para todas as necessidades digitais dos nossos clientes”, afirmou. 

A primeira solução em estreia é a Vodafone Business Secure Service Edge, uma oferta em cloud gerida que garante acesso seguro e controlo aplicacional, independentemente do dispositivo e localização do utilizador. “O cliente pode avançar para funcionalidades de segurança na sua rede sem ter de alterar a sua solução de conectividade”, salientou Filomena Pereira. 

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A segunda novidade é a Vodafone Care Tracker Health, uma evolução do Care Tracker que a empresa já tem no mercado. Trata-se de uma solução de monitorização remota que permite, através de uma plataforma centralizada e dispositivos médicos, recolher informação de pessoas vulneráveis ou com doenças crónicas. “É especialmente importante para lares, centros de saúde e clínicas que pretendem acompanhar estas pessoas”, descreveu Filomena Pereira. 

O gestor de conectividade e comunicações unificadas da operadora, Vítor Silva, disse que esta versão do Care Tracker é uma evolução em que se passa da teleassistência para uma assistência conectada. “Além de acompanharmos a questão de emergência quando ela surge, também conseguimos fazer monitorização contínua”, afirmou o responsável. “Isto não é apenas uma evolução tecnológica, é uma evolução na forma como nós vemos e endereçamos os cuidados de saúde.”

A outra solução apresentada é a mochila SOS Connect Backpack, inspirada nos desastres recentes em Portugal, desde o apagão à tempestade Kristin, que deixaram milhares de clientes e empresas sem acesso à rede. 

“É uma solução de comunicações resiliente no formato de mochila, em que conjugamos a conectividade e a capacidade de criar uma rede móvel num determinado espaço com até 16 utilizadores em chamada ao mesmo tempo”, explicou Filomena Pereira. É um pacote de resiliência que será especialmente importante para forças de segurança, equipas no terreno e gabinetes de crise, adiantou. 

O momento de lançamento dos novos serviços e expansão da oferta existente foi certeiro, considerou o administrador executivo Henrique Fonseca, chamando a atenção para o alerta dado pela Comissão Europeia sobre o atraso na digitalização das empresas portuguesas. 

“Portugal tem redes de fibra e 5G como ninguém tem na Europa. No entanto, as empresas portuguesas estão a ficar para trás na adoção das novas tecnologias, da cloud, da Inteligência Artificial, da analítica, entre várias outras, e isso pode vir a comprometer a competitividade digital do país”, salientou o executivo. 

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Cibersegurança na ascensão da IA

Embora a cibersegurança seja um tema recorrente para as empresas, a rápida evolução da IA está a trazer mudanças significativas. “A segurança é uma componente crítica neste momento”, disse o responsável internacional da Vodafone Mark Bennett, Head of Fixed and Software Defined Networking Products do grupo. “A IA pode ajudar, mas também pode ser uma ameaça.” Bennett destacou alguns sectores onde a resiliência é particularmente relevante, como a saúde e a área financeira. 

“A nossa visão não é apenas conectar utilizadores e dispositivos a aplicações na nuvem, também é conectar agentes e IA em toda a infraestrutura de rede”, indicou. O executivo citou uma previsão relevante da consultora Omdia: em 2033, 60% do tráfego nas redes será proveniente de milhões de agentes IA a comunicarem uns com os outros. 

“A IA está a explodir”, afirmou o responsável. “Toda a comunicação vai mudar e há um enorme investimento neste espaço”. A qualidade das redes terá de melhorar e não poderá ser variável, considerou, dizendo que será muito importante garantir baixa latência e alta capacidade. 

Toda esta expansão também trará desafios de segurança, porque a superfície de ataques será maior, haverá agentes “rebeldes” a circular e o potencial de extração de dados e de API mal configuradas representa riscos de segurança. “É muito importante que desenhemos segurança para a IA e melhoremos as nossas ofertas de segurança”, salientou. 

Isto é importante para empresas de todos os tamanhos e independentemente dos sectores. “Hoje em dia, falar de conectividade de forma isolada sem contemplar a questão da segurança e resiliência das redes não faz sentido”, salientou Frederico Abecasis, gestor de Cloud e Segurança da Vodafone. O responsável frisou que é preciso ter todas as componentes em conta: conectividade, segurança e gestão. “Uma rede que não tem segurança vai ser um ponto de vulnerabilidade da empresa”, disse, mas se for segura e não for gerida também é um entrave à deteção de problemas e ao desenvolvimento do negócio. “Temos de olhar para estes três vetores de forma integrada.”

O evento incluiu painéis com várias empresas portuguesas, que falaram de como usam serviços da operadora para expandirem os seus negócios e criarem melhores ofertas. Uma delas foi a Amorim Luxury, que entregou a gestão de serviços à Vodafone. 

“Há dois anos o grupo decidiu que tinha de investir na parte digital”, disse Nuno Cabral, diretor de tecnologia da Amorim Luxury, referindo que a empresa viu nos serviços geridos vantagens operacionais. “Este dia a dia é operado pela Vodafone”, descreveu. A empresa vai lançar uma aplicação inovadora para a sua marca JNcQUOI em setembro e tem grande planos de expansão para 2028. 

“O desafio é escalar e manter os níveis de qualidade do serviço”, salientou Nuno Cabral, uma vez que o mundo do luxo é muito analógico para o cliente, que espera contacto humano personalizado em cada interação. 

Também Marco Jesus, CEO da AJTEC, falou da experiência da empresa com o VBSOC, o Security Operations Centre da Vodafone Business que lhe permite ter assistência 24 horas por dia com pessoas específicas em cada área. 

“Estamos à vontade com a questão da segurança e isso liberta-nos para nos conseguirmos dedicar ao que queremos fazer, ao desenvolvimento de software”, indicou. 

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Um futuro mais inteligente

O Open Day encerrou com uma apresentação provocadora do especialista em IA Bernardo Caldas, intitulada “O cérebro, a máquina e o futuro do trabalho.” Um dos impactos que previu que vai mesmo acontecer será a perda de emprego. “Temos empresas que estão a despedir a sério. Os despedimentos atribuídos à IA são reais. Vai acontecer qualquer coisa”, disse. “Nós vamos perder trabalhos para a Inteligência Artificial, ponto. Ninguém consegue dizer até onde. Mas ficar só à espera é um erro estratégico”, garantiu. Isto não vai acontecer apenas às carreiras individuais, mas também às empresas. As incumbentes vão ter um fluxo gigantesco de startups a concorrer com elas, conseguindo criar e oferecer serviços mais baratos e com maior agilidade. 

Caldas citou alguns estudos, incluindo um que concluiu que o uso de IA por vezes gera aumentos grandes de produtividade e por vezes causa uma redução. Como se descobre qual será o caso para cada tarefa? “Gastando tempo a tentar”, determinou o especialista. 

O aumento de produtividade começa a aparecer quando as empresas e profissionais entregam tarefas aos agentes de IA. O objetivo, disse, não deve ser automatizar a empresa inteira e despedir toda a gente, algo que é sinal de um gestor fraco. “Mas recomendo que tentem subir um degrau a cada dia, a cada tarefa.”

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Bernardo Caldas apelou a que os empresários portugueses esqueçam aqueles que lhes querem vender hype. “Percam tempo com quem experimenta esta revolução com credibilidade”.

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