Quando a depressão Kristin se abateu sobre o território português, os estragos provocaram falhas na rede elétrica e de telecomunicações, afetando centenas de milhares de pessoas e paralisando muitas empresas. O desastre expôs a necessidade de um plano alternativo de resiliência das redes e essa preocupação inspirou uma nova solução da Vodafone, chamada SOS Connected Backpack. Trata-se de uma mochila com baterias e uma mini-antena móvel (femtocell) preparada para auxiliar empresas no caso de um desastre similar ao que aconteceu no início deste ano. A novidade vai ser demonstrada hoje no Taguspark, durante o Vodafone Open Day. “Juntamente com as nossas áreas de engenharia, fomos desenvolvendo soluções para conseguir colocar no terreno antes que a infraestrutura pudesse ser reparada, porque efetivamente os estragos foram muito grandes e construímos uma solução de emergência”, disse ao Jornal de Notícias Filomena Pereira, diretora de produtos e serviços na Vodafone Portugal. “A certa altura, percebemos que havia interesse no mercado em ter esses kits de emergência para uma situação de apagão, em que de repente falta a eletricidade e falta tudo”, explicou. As baterias funcionam como uma fonte de energia autónoma e a solução tem um router, podendo ligar equipamentos físicos para manter a rede. A solução permite ligar até 16 telemóveis em simultâneo em chamada e haverá uma versão opcional de conectividade por satélite. “Isto é interessante quer para autoridades, bombeiros, serviços municipais, autarquias, mas também para gabinetes de crise, por exemplo, de empresas que pretendam ter alguma autonomia e que saibam que em situação de emergência conseguem manter a ligação”, frisou Filomena Pereira. As mochilas terão um serviço associado, para garantir que os equipamentos recebem atualizações e que os funcionários obtêm formação para saber ligar o sistema. Segundo a responsável, as empresas mais preocupadas com a resiliência são as de maior dimensão, que também estão mais atentas às necessidades de segurança das redes. Esta é outra área de foco no Vodafone Open Day, onde a operadora vai falar da evolução de uma solução SASE baseada em tecnologia da Fortinet. “Vamos permitir que as empresas consigam colocar uma camada de segurança em cima das suas redes sem ter que atuar imediatamente sobre elas”, explicou a diretora, referindo que a novidade veio de uma necessidade que a operadora identificou quando ia apresentar as soluções aos clientes. “Sentiam que era um passo grande a dar, porque alterava muita coisa ao mesmo tempo, e no fundo permitimos que as empresas façam uma alteração faseada da proteção das suas redes.”.Tecnologia em destaqueO Vodafone Open Day, que terá 10 inovações em espaços de demonstração, também incluirá soluções de serviços geridos e tecnologia IoT (Internet das Coisas).Uma delas é a evolução da CareTracker, uma solução de monitorização remota que agora passa a incluir mais dispositivos médicos. Aquilo que começou por ser um equipamento virado para idosos, com botão SOS e deteção de queda, vai acrescentar dispositivos médicos que fazem medições de tensão arterial, oxigénio, temperatura e outros.“O que nós damos é uma plataforma de gestão onde é possível aceder a esta informação e que permite fazer, por exemplo, hospitalização domiciliária, para que as pessoas mantenham algum acompanhamento, mas possam estar nas suas casas, em lares ou onde for dada assistência”, indicou Filomena Pereira. Nos serviços geridos, o Open Day vai focar-se na oferta virada especialmente para pequenas e médias empresas. “É para empresas que não têm departamentos de TI, que têm dificuldade em obter pessoas com know-how suficiente para conseguir gerir determinadas aplicações, e nós podermos dar esse serviço”, descreveu a diretora. Um exemplo é o Security Operations Center, que fornece serviços geridos de cibersegurança, e outro é o de Managed Services para Microsoft 365, que auxilia empresas com licenças Microsoft que têm dificuldade em fazer o acompanhamento, monitorizar o que está a ser utilizado e fazer alterações de configuração. Haverá outras soluções em demonstração, como a plataforma Vodafone Analytics que usa dados de rede anonimizados para extrair análises à medida. Por exemplo, uma empresa que esteja a pensar em abrir uma nova sucursal numa zona pode perceber qual é o público que a frequenta.“Através desses dados de rede, nós conseguimos dizer qual é a população que se movimenta, quantas pessoas passam em determinada zona”, referiu Filomena Pereira. Já houve uma análise feita numa prova de Fórmula 1 no Algarve e noutros eventos espalhados pelo país, e agora a plataforma está disponível para PME, que podem extrair relatórios muito específicos ou de forma recorrente. Com uma capacidade para 280 pessoas, a expectativa é de que as soluções cheguem a responsáveis de empresas de todos os tamanhos. “Achamos que estes Open Days são uma forma de nós mais facilmente conseguirmos falar com os nossos clientes, explicar a evolução que estamos a ter”, frisou Filomena Pereira.