Como a tendência de design fresco prepara as casas lisboetas para o pico do verão

Como a tendência de design fresco prepara as casas lisboetas para o pico do verão

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Em julho, em Lisboa, as persianas estão fechadas ao meio-dia, o ventilador está ligado desde cedo e há uma busca constante por aquele recanto da casa onde o calor é mais suportável. Mas há outra forma de se preparar, uma que começa semanas antes e que tem mais a ver com a forma como organizas o teu espaço do que com o número de aparelhos elétricos que tens ligados. O «cooling decor», ou design orientado para reduzir a perceção térmica, há já algumas temporadas vem transformando os interiores lisboetas, e vale a pena perceber por que razão funciona.

O segredo para criar uma corrente de ar visual e refrescar a tua sala instantaneamente

Alguma vez entraste numa divisão e sentiste que ela respirava? Essa sensação é conhecida como fluxo de ar cruzado. Ocorre quando o ar pode entrar por um lado e sair pelo outro sem encontrar obstáculos, e é um dos princípios básicos do cooling decor. Um sofá mal colocado em frente à janela, uma estante que bloqueia a passagem entre duas aberturas... são coisas que bloqueiam a circulação do ar sem que nos apercebamos.

A cor também desempenha o seu papel, e mais do que parece. Trocar as almofadas bordô por outras de algodão em azul desbotado ou branco sujo não baixa a temperatura do termómetro, mas muda a forma como percebemos o calor. Uma decoração casa pensada para o verão começa exatamente assim: um vaso de cerâmica clara, um candeeiro de fibra vegetal, uma cortina de linho em vez de veludo, que juntos criam um ambiente visualmente mais leve e fresco.

E depois há os materiais. O rattan, o bambu e o algodão não tratado absorvem a humidade e deixam o ar circular; os tecidos sintéticos, por outro lado, retêm-na. Não é preciso renovar toda a sala, mas, com uma cadeira de fibra natural aqui, um cesto de vime ali, o espaço começa a respirar de outra forma.

Por que razão guardar os têxteis pesados é o primeiro passo para um ambiente de puro verão

Se o objetivo é que a casa pareça mais fresca, o ponto de partida mais eficaz é retirar o que sobra. Os cobertores de lã empilhados no armário, o edredão nórdico, as almofadas de veludo que estão há meses no sofá: tudo isso gera, inclusive à vista, uma sensação de peso e calor que afeta o bem-estar, mesmo que não nos apercebamos conscientemente. Guardar bem é, literalmente, dar início ao verão.

O processo tem mais lógica do que parece. Primeiro, separar por categorias: roupa de cama, mantas, têxteis decorativos. Depois, lavar ou arejar tudo antes de guardar, para que esteja em bom estado quando voltar a ser necessário. Com essa base, a transição sazonal torna-se algo mais suportável, até mesmo satisfatório.

A chave está na forma como se guarda, não apenas no que se guarda. Um cobertor de lã enfiado num saco de plástico, sem mais nem menos, chegará a outubro com cheiro a fechado e talvez com alguma surpresa desagradável. Com o sistema adequado, pelo contrário, tudo chega em perfeitas condições. E é aqui que vale a pena dedicar um momento a escolher bem.

A arte de arrumar o guarda-roupa de inverno usando caixas de arrumação inteligentes

As caixas de arrumação resolvem precisamente isso: caixas empilháveis com fecho hermético, sacos de vácuo que reduzem o volume de edredões e mantas em até setenta por cento, organizadores concebidos para aproveitar o espaço debaixo da cama ou no fundo do guarda-roupa. Para este tipo de soluções, muitos lisboetas recorrem a lojas como a Action, que oferecem uma vasta gama de artigos para o lar e arrumação, renovada a cada estação, a preços bastante acessíveis.

Os sacos de vácuo merecem especial atenção nos apartamentos lisboetas, onde o espaço costuma ser reduzido. Um edredão de casal dobrado ocupa bastante espaço; o mesmo edredão num saco de vácuo cabe em qualquer recanto. Combinados com caixas etiquetadas e empilhadas por categorias, permitem saber exatamente onde está cada coisa sem ter de abrir cada recipiente em outubro.

A este propósito, aconselhamos que guarde os volumes maiores nos espaços menos acessíveis, como o fundo do armário, o sótão ou debaixo da cama, e que reserve as prateleiras a meia altura para as caixas de que possa precisar mais cedo. Com essa organização, o armário de verão fica desimpedido desde o primeiro dia de calor, e o de inverno está pronto para quando voltar a ser necessário.

Dicas práticas para transformar a sua varanda num verdadeiro oásis nas noites quentes

Com a casa arrumada e os têxteis guardados, resta a varanda. Em Lisboa, onde as noites de agosto continuam quentes e, por vezes, chega uma brisa suave do Tejo, ter esse recanto bem pensado pode tornar-se o melhor momento do dia.

As plantas fazem mais do que parece. A hortelã, o feto ou o manjericão conferem frescura visual, mas também geram uma ligeira humidade ambiente que refresca o ar circundante. Colocadas em floreiras ao longo da grade, criam ainda uma barreira natural contra o calor direto. Se a varanda for virada a oeste e receber sol da tarde, uma trepadeira leve sobre uma estrutura de madeira funciona como um guarda-sol vegetal bastante eficaz.

À noite, a luz muda tudo. Uma guirlanda de LED, algumas velas em castiçais de vidro, um candeeiro solar num canto: basta isso para transformar uma varanda funcional num local onde apetece estar. Um par de almofadas resistentes à humidade, uma mesinha baixa e uma espreguiçadeira de rattan sintético completam o espaço. Simples, sem excessos, e com tudo o que é necessário para desfrutar do verão a partir de casa.

Preparar a casa para o verão lisboeta não exige grandes mudanças nem um orçamento elevado. Com alguma organização, materiais que respiram e uma varanda bem aproveitada, o calor de agosto passa de outra forma. No fim de contas, a frescura em casa tem mais a ver com o que se retira do que com o que se acrescenta, e isso é algo que qualquer pessoa pode pôr em prática neste fim de semana.

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