Bernardo Caldas: “Nós vamos perder trabalhos para a Inteligência Artificial, ponto”

Bernardo Caldas: “Nós vamos perder trabalhos para a Inteligência Artificial, ponto”

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O especialista em Inteligência Artificial Bernardo Caldas deixou os participantes do Vodafone Open Day, que decorreu no Centro de Congressos do Taguspark, com uma provocação: utilizem a mesma lógica do filósofo Blaise Pascal em relação a Deus para a IA. 

A teoria é que é melhor agir como se a revolução da IA estiver mesmo a chegar do que ficar sentado à espera para ver, ou confortável na ideia de que não será muito diferente de revoluções tecnológicas anteriores. 

“Se eu estiver enganado e a IA não mudar nada e vocês não se prepararem, ótimo. Correu tudo bem”, disse. “Se não mudar nada e vocês acreditarem em mim, quando muito perderam um bocadinho de tempo”, continuou. “Se eu tiver razão e vocês se prepararem, as vossas empresas prosperarão”, vaticinou. “Mas se não acreditarem e eu tiver razão, a vida vai correr muito mal.”

Um dos impactos que o especialista previu que vai mesmo acontecer é a perda laboral. “Temos empresas que estão a despedir a sério. Os despedimentos atribuídos à IA são reais. Vai acontecer qualquer coisa”, disse, afastando os cenários mais benignos de impacto modesto. “Nós vamos perder trabalhos para a Inteligência Artificial, ponto. Ninguém consegue dizer até onde. Mas ficar só à espera é um erro estratégico”, garantiu. 

E isto não vai acontecer apenas às carreiras individuais, mas também às empresas. As incumbentes vão ter repentinamente um fluxo gigantesco de startups a concorrerem com elas, conseguindo criar e oferecer serviços mais baratos e com maior agilidade, porque o custo de desenvolver baixou muito. 

“A grande dificuldade é ser ouvido pelos nossos clientes”, apontou, porque haverá muita oferta e a expectativa deles vai aumentar cada vez mais. 

Caldas citou alguns estudos, incluindo um que concluiu que o uso de IA por vezes gera aumentos grandes de produtividade e por vezes causa uma redução. Como se descobre qual será o caso para cada tarefa? “Gastando tempo a tentar”, determinou o especialista. 

Onde o grande aumento de produtividade começa a aparecer é quando as empresas e profissionais começam a entregar tarefas à Inteligência Artificial, a chamada era agêntica. “A vida fica diferente quando deixo que a IA faça coisas sozinha”, depois de devidamente testada e contextualizada. 

O objetivo, disse, não deve ser automatizar a empresa inteira e despedir toda a gente, algo que é sinal de um gestor fraco. “Não recomendo”, alertou. “Mas recomendo que tentem subir um degrau a cada dia, a cada tarefa.”

Bernardo Caldas apelou a que os empresários portugueses esqueçam aqueles que lhes querem vender hype. “Percam tempo com quem experimenta esta revolução com credibilidade”, aconselhou. 

O especialista disse que grande vantagem da IA não é fazer tudo barato, mas permitir multiplicar um recurso que até aqui era escasso, o da inteligência. “Havia muita coisa que não conseguíamos fazer porque tínhamos um número limitado de pessoas que podíamos contratar.” Aquilo que muda é que esta restrição começa a desaparecer, salientou. “Um bom gestor é o que vai olhar e dizer: agora consigo ter mais cérebros a trabalhar nisto.”

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