O que é que se pode apreender cruzando os dados de consumo de álcool com . os dados económicos dos países? Pode um copo meio cheio representar uma . crise económica, ou pelo contrário, pode um copo meio vazio representar . a saída da recessão e o regresso ao crescimento? . Num momento em que o dinheiro escasseia nos agregados familiares e as contas continuam a . precisar de ser pagas, a pressão aumenta sobre quem sustenta os . lares, e logicamente pode-se pensar que o consumo de álcool sobe nestes momentos. . Mas os dados mostram precisamente o contrário: Menos dinheiro significa menos bebidas alcoólicas. As vendas de álcool nos Estados Unidos e na Europa são ilustrativas das diferentes situações que se vivem nos dois blocos económicos: No velho Continente as vendas estão a cair devido à crise, do outro lado do Atlântico as vendas estão a aumentar devido à melhoria da situação financeira. . Outro exemplo é o da China onde se espera que o consumo de álcool aumente 5,9% ao ano até 2016, segundo a consultora Frost & Sullivan, devido ao bom momento da sua economia. . Nos Estados Unidos as vendas de cerveja, vinho e bebidas espirituosas nos restaurantes, bares e outros locais com licença para venda de álcool aumentou 4,9% em 2011, segundo um estudo da Technomic, citado pelo Huffington Post. . Esta ligeira subida levou a um aumento das vendas em 93,7 mil milhões de dólares, com a Technomic a esperar que as vendas subam neste ano e no próximo. . Na Europa, a situação é completamente inversa, devido precisamente à continuação da degradação do ambiente económico. As vendas de cervejas tem vindo a cair desde o início da crise na zona euro. . Olhando para os dados de consumo de cerveja na Europa entre 2009 e 2011, a quebra é assinalável: Em 2009 consumia-se 358 milhões de hectolitros de cerveja nos 27 países da União Europeia. No ano passado, este valor caiu para os 354 milhões de hectolitros, segundo um relatório da associação do sector a "Brewers of Europe". . Na produção, o cenário é semelhante: Os 27 países comunitários produziam 388 milhões de hectolitros em 2009, com o valor a baixar para 377 milhões de hectolitros no ano passado. . Em Portugal, um dos países mais afectados pela crise na União Europeia a quebra foi assinalável: O português bebia em média 59 litros de cerveja por ano em 2009, valor que caiu para os 53 litros em 2011. . Também no consumo de vinho nota-se uma quebra significativa nos últimos anos nos países europeus. Em Portugal o consumo per capita caiu 1% entre 2007 e 2010 para os 45,70 litros anuais, segundo dados do Wine Institute norte-americano. . A Grécia registou uma descida significativa no consumo de vinho: Mais de 8% entre 2007 e 2010, com os helénicos a beberem 27,52 litros por ano. . Em Espanha a quebra foi de 20,8% entre 2007 e 2010, na Irlanda foi de 8,3%, e em França foi de 3%. Dos países do Sul da Europa, a Itália foi a única que aumentou o seu consumo, 3,4%, com cada transalpino a beber em média 42,15 litros anualmente. . Também o champagne, bebida associada a um nível de vida mais elevado, está a ter as suas vendas afectadas. Nos primeiros nove meses do ano, as vendas de champagne caíram 5%. Os produtores ainda esperam que a situação melhore até ao final do ano, altura em que as vendas aumentam devido à passagem de ano, mas as vendas vão mesmo cair em 2012, segundo o Wall Street Journal. . A quebra nas vendas está essencialmente relacionada com a recessão em França, país que representa 50% das vendas. . Nas bebidas espirituosas também se sente com gravidade a crise. Entre 2007 e 2010 o consumo destas bebidas per capita na União Europeia desceu 7,82% para os 9,66 litros anuais, depois de um aumento de consumo entre 2001 e 2007, quando foi alcançado um máximo de 10,48 litros, antes do início da crise, segundo dados da Spirits Europe, a organização que representa o sector em Bruxelas.