António Varela, antigo administrador do Banif nomeado pelo Estado, apontou esta tarde que "em 2012, o Banif era um banco muito muito mau, um banco péssimo", culpa de "uma estratégia completamente errada nos anos anteriores", apontou aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banif (CPI Banif).."Para mim foi um choque profissional e pessoal" o colapso do banco madeirense, salientou na sua intervenção inicial, referindo que a seu entender, "o principal aspeto que queria chamar a atenção" era o estado do banco no final de 2012, "um banco péssimo".."Enquanto nos anos anteriores os bancos foram reduzindo de dimensão, o Banif duplicava de tamanho, com investimentos completamente disparatados, no Brasil, em Espanha e noutras geografias", apontou.."A política de concessão de crédito traduzia-se de facto numa carteira concentrada em meia dúzia de clientes, uma elevadíssima exposição a imobiliário e com critérios duvidosos para a concessão de crédito", detalhou o ex-administrador. Faltavam também "um sistema informático ou um departamento de gestão de risco", conjunto de infraestruturas que rotulou de "indispensáveis" para um banco funcionar..Por outro lado, "o Banif também tinha dois aspetos muito positivos: os recursos humanos muito bons, muito dedicados e empenhados na sobrevivência do banco e uma boa clientela, especialmente nos Açores e na Madeira"..Sobrevivência muito difícil.Na altura em que foi convidado para representar o Estado no banco, explicou António Varela, considerou logo "que a sobrevivência do banco era muito difícil", ainda que não impossível. Mas a evolução de alguns aspetos piorou ainda mais essas já curtas hipóteses.."Em todas as previsões feitas para o Banif, previa-se a subida das taxas de juro e estas desde então só desceram e isto teve uma tradução muito significativa" na deterioração do banco, já que a banca depende bastante das margens permitidas pelos juros. "Também a melhoria geral da economia portuguesa não se veio a confirmar.".António Varela identificou de seguida que o plano desenhado para o banco previa o avanço de rápidas alienações de participadas, que não se verificaram..Por fim, mas não de somenos, um último aspeto que complicou a sobrevivência do Banif foram as limitações e restrições impostas pela Direção-geral da Concorrência da Comissão Europeia, que "foi impondo no modelo de viabilização do banco um determinado conjunto de restrições, como os mercados onde poderia estar, o tipo de clientes ou produtos que poderia vender, etc, que diminuíram a rentabilidade do banco"..António Varela foi o administrador nomeado pelo Estado no Banif entre 2013 e 2014, tendo em setembro desse ano sido nomeado para a administração do Banco de Portugal, abandonando o banco madeirense..Leia mais sobre a comissão de inquérito ao Banif.No início deste mês de março, Varela apresentou a demissão do banco central. Segundo a carta de demissão entregue, divulgada pelo "Negócios", o responsável terá referido não se identificar "o suficiente com a política e a gestão do Banco de Portugal"..Quando foi nomeado para a administração do supervisor bancário, Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças do governo PSD/CDS, considerou que "a supervisão não podia ter melhor titular do que o Dr. António Varela"..Aquando da reunião dos administradores do Banco de Portugal que acabou por decretar a resolução do Banif, António Varela invocou um impedimento para não participar na mesma, já que era dono de alguns títulos do banco, sendo assim um investidor no mesmo.