Zayn liberta-se de vez dos One Direction na sua estreia a solo

Acaba de chegar às lojas o primeiro álbum, Mind of Mine, em nome próprio de Zayn Malik, fundador da célebre boy band, que abandonou há um ano. O single, Pillowtalk, entrou para o topo dos tops

Há um ano Zayn Malik anunciou, para tristeza de milhares de adolescentes em todo o mundo, que estava de saída dos One Direction, a boy band com a qual se manteve durante cinco anos, esgotando estádios em todo o mundo e quebrando recordes de vendas, além dos 20 milhões de álbuns vendidos mundialmente. A 25 de março de 2015 Zayn afirmava que a sua saída se prendia com uma vontade de se afastar do aparato mediático, mas hoje sabemos que os seus planos eram outros. E agora Zayn, que entretanto "perdeu" o apelido Malik, lança o seu primeiro álbum a solo, Mind of Mine, uma obra que o afirma como uma personalidade distante do adolescente inocente que muitos imaginavam.

Nos últimos meses Zayn tem vindo a dar algumas entrevistas a publicações estratégicas (Complex, Fader, especializadas em hip hop e r&b), revelando como desde cedo se sentiu frustrado criativamente na boy band que o mostrou ao mundo.

Se nos lembrarmos de que o jovem britânico de 23 anos concorreu ao programa X Factor com uma versão do cantor de r&b Mario e que sempre mostrou mais afinidades com as paletas sonoras do r&b e do hip hop do que com a pop de estádio praticada nos One Direction, é natural que agora que se apresenta a solo nos apresente um disco ancorado no r&b contemporâneo (Miguel, Frank Ocean e The Weekend são algumas das referências mais presentes), textural e profundamente sexual, sombrio a espaços, sem nunca revelar grandes ambições em chegar às pistas de dança ou aos grandes estádios.

Todo o discurso de Zayn em torno deste Mind of Mine tem passado por mostrar a personalidade que até hoje estaria diluída nos One Direction. O músico não engana e é de aplaudir o gesto arriscado de, a meio do álbum, incluir um interlúdio, intitulado Intermission: Flower, cantado em urdo, salientando assim as suas raízes muçulmanas (o seu pai é britânico-paquistanês), algo raro na pop ocidental, para mais tendo em conta como a islamofobia é cada vez mais corrente no mundo em que Zayn se move.

Boa parte deste Mind of Mind é produzido por Malay, produtor do muito aplaudido e premiado álbum de estreia do canadiano Frank Ocean, Channel Orange, escolha que não será inocente na estratégia vigente de afastar o cantor o máximo possível do mundo adolescente dos One Direction, algo recorrente na história da pop, como provam os recentes casos de Justin Bieber e Miley Cyrus. Também eles encetaram grandes viragens nos seus percursos para anunciar a sua chegada à vida adulta. O dueto com a novata Kehlani (uma das mais entusiasmantes vozes do r&b atual) em Wrong é sintomático de horizontes e ambições.

Se ao longo de Mind of Mine (cuja edição deluxe conta com 20 temas) Zayn privilegia os ambientes enevoados do r&b, na verdade o cantor revela melhor as suas valências interpretativas (já nos One Direction era, a par de Harry Styles, o que mais se destacava neste departamento) quando deixa entrar alguma luz nas suas canções, como são disso exemplo She Don't Love Me, Like I Would, Truth, Borderz ou Do Something Good (repleta de toques caribenhos).

Como afirmação de uma personalidade distante da banda que o antecedeu, Mind of Mine é um disco plenamente conseguido e já está a conquistar o seu público, ou não tivesse o single Pillowtalk entrado diretamente para o primeiro lugar do top de vendas nos EUA (e em Portugal também chegou ao primeiro lugar do top nacional de vendas), feito que os One Direction nunca alcançaram. Resta saber se, daqui em diante, Zayn conseguirá corresponder ao potencial que lhe é atribuído.

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