Velório de Baptista-Bastos realiza-se hoje na SPA

O velório do jornalista Armando Baptista-Bastos realiza-se esta quarta-feira, a partir das 16:00, na Sociedade Portuguesa de Autores.

O velório do jornalista Armando Baptista-Bastos, falecido na terça-feira, em Lisboa, aos 83 anos, realiza-se hoje a partir das 16:00 na Sociedade Portuguesa de Autores, na rua Gonçalves Crespo, em Lisboa, disse à Lusa a mulher.

Segundo a mesma fonte, a cerimónia de cremação realiza-se na quinta-feira, pelas 17:00, no cemitério do Alto de S. João, também em Lisboa.

Baptista-Bastos foi "um brilhante polemista, um homem de esquerda, acentuadamente, de esquerda sempre, se teve filiação partidária foi algo muito longínquo, era um combatente", salientou Lusa o jornalista e escritor Mário Zambujal, que foi seu amigo durante mais de 50 anos.

"O 25 de Abril de 1974, tenho a certeza, foi a maior alegria da vida do Baptista-Bastos", afirmou.

Baptista-Bastos, entre outros meios de comunicação social, trabalhou nos jornais República, O Século, Diário Popular, onde, na década de 1960, manteve a rubrica semanal "Letra de Repórter".

Foi ainda fundador do semanário O Ponto, no qual "realizou uma série de 80 entrevistas que assinalaram uma renovação naquele género jornalístico e marcaram a época", segundo a biografia disponível na página do Jornal de Negócios, onde o texto mais recente que assinou data de 03 de março.

Baptista-Bastos trabalhou também na Rádio e Televisão Portuguesa e na SIC, no Rádio Clube Português, na Rádio Comercial e na RDP-Antena 1.

Jornalista desde os 19 anos, quando começou n'O Século, Baptista-Bastos estreou-se editorialmente com o ensaio "O Cinema na Polémica do Tempo" (1959), a que se seguiu outro ensaio, "O Filme e o Realismo" (1962).

Data de 1963 a sua estreia na ficção com "O Secreto Adeus".

Baptista-Bastos é autor de mais de duas dezenas de livros. Entre os mais recentes cite-se "A Bolsa da Avó Palhaça", o livro de crónicas "A Cara da Gente" e "As Bicicletas em Setembro".

Baptista-Bastos publicou mais de uma dezena de títulos de ficção, entre os quais "Cão Velho entre Flores" (1974), "A Colina de Cristal" (1987), "O Cavalo a Tinta-da-China" (1995) e "No Interior da Tua Ausência" (2002).

Ao longo da carreira, o autor conquistou vários prémios, designadamente, o Prémio Literário Município de Lisboa, em 1987, pelo romance "A Colina de Cristal", que lhe valeu também o Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção, no ano seguinte.

Em 2002, recebeu o Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, pela obra "No Interior da Tua Ausência". Em 2003, venceu o Grande Prémio de Crónica da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro "Lisboa Contada pelos Dedos".

Em 2006, recebeu os prémios de Crónica da Sociedade da Língua Portuguesa, João Carreira Bom e do Clube Literário do Porto.

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