Uma exposição de "coisas" que Julião Sarmento foi "juntando"

Julião Sarmento entregou a sua coleção a Delfim Sardo que a exibe a partir de hoje no Museu da Eletricidade.

"Nesta exposição não se sentem lacunas. É o resultado da vida, e a vida não tem lacunas, é o que é", diz Delfim Sardo, curador e amigo de Julião Sarmento na exposição Afinidades Eletivas, aberta ao público a partir de hoje no Museu da Eletricidade, em Lisboa. O que aqui se vê são cerca de 300 obras, menos de metade de uma coleção a que o dono não chama assim. "Há muitos anos que comecei a juntar coisas", prefere dizer. "Junto obras que têm a ver comigo". Pode ser vista na sala principal do Museu da Eletricidade e abre com um desenho do pai de Julião Sarmento. "O único pedido que fiz ao Delfim", diz. Ao lado, fotografias de um jantar do artista com a mulher e um amigo, Albano Silva Pereira, cujo trabalho também está na exposição, tiradas por outro artista que aqui está, Robert Frank. "Começamos desta maneira íntima".

Próxima é também a relação entre colecionador e curador. "Delfim Sardo é um amigo e confidente, conhece as obras e sempre demonstrou interesse em fazer uma exposição", afirma o artista, que pôs tudo nas mãos do curador e só viu o resultado na segunda-feira, quando apareceu para "dar uma ajuda na montagem". Nem sequer queria ser fotografado. "Não sou importante aqui".

O comissário, ao lado, conta que conhece as obras das várias casas por onde Julião Sarmento passou. Há muito que pensavam que "seria interessante fazer u ma exposição fora do ambiente doméstico". No final da visita à imprensa, ontem de manhã, admitiria que "foi uma das mais difíceis". "Foi muito difícil chegar a uma fórmula", nota. "Cada peça que não se punha era uma dor de alma".

A exposição encerra no dia 3 de janeiro e os quadros retornam ao colecionador, pouco preocupado, diz, com o impacto que possa ter no visitante. "Se gostarem fico satisfeito, se não gostarem é problema deles. Para mim o que é importante é eu gostar deles". Além do que se pode ver no museu da Fundação EDP, um outro núcleo, mais dedicado ao desenho, pode ser visto na Fundação Carmona e Costa, no edifício Espanha, antigo edifício da Bolsa de Lisboa.

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