Uma Casa para levar a arquitetura portuguesa ao mundo inteiro

Na primavera de 2017, uma grande exposição internacional marca a inauguração da nova Casa da Arquitetura, que sai da antiga morada de família de Álvaro Siza.

Foi uma terra de pesca e conservas e abre-se agora à celebração da arquitetura e do design, como se pode ver de longe no belo edifício do terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões. A cidade onde nasceu Álvaro Siza está a construir a Casa da Arquitetura, dotada de equipamento sofisticado e pessoal especializado que será uma plataforma para guardar, tratar, investigar e mostrar ao mundo o trabalho destes profissionais.

A Casa está em obras mas vai receber hoje e amanhã um conjunto de iniciativas, incluindo visitas para quem queira ver por dentro o edifício. Tudo se passa no complexo onde há largas décadas os produtos da Real Vinícola eram armazenados e enviados por comboio para o país e o estrangeiro, e que estará renovado e pronto para inaugurar na primavera de 2017. A ala destinada à Casa da Arquitetura, à direita de quem entra no complexo, tem como vizinha, ao fundo, à futura sede da Orquestra Jazz de Matosinhos, e fica paralela ao conjunto comercial, reservado a lojas e outras atividades relacionadas com arquitetura e design. Ao centro, destaca-se o edifício polivalente onde hoje e amanhã haverá debates.

A obra encontra-se ainda na fase de construção civil mas está em andamento o processo que vai transformar os antigos armazéns num laboratório sofisticado. Logo que haja condições no local, começa a instalação dos equipamentos para tratar, conservar e manter projetos e maquetes nas condições adequadas.

O processo começa, para os documentos em pior estado, por uma "hospitalização" para tratar os materiais, retirando-lhes elementos que os danificam, como fita-cola ou agrafos. Logo que tratados e catalogados, serão arquivados em condições corretas de temperatura, humidade e pureza bacteriológica.

Estão já em fila de espera a aguardar a abertura da Casa muitos e maquetes, incluindo os originais da Casa de Chá e das Piscinas das Marés que Álvaro Siza submeteu à Câmara de Matosinhos para aprovação, na década de 1960.

Ao todo, a Casa terá 4700 metros quadrados para exposições (com possibilidade de auditório), tratamento e arquivo de projetos, biblioteca, livraria e loja.

O arquiteto Nuno Sampaio, 42 anos, é o diretor executivo e aponta, em pleno estaleiro, a localização de cada área de trabalho. Interrompe a conversa para trocar impressões com quem está ali a trabalhar, em particular com a responsável da obra, a jovem engenheira Joana Gomes.

Pelo meio vai explicando que a exposição inaugural, de âmbito internacional e a ocupar a totalidade da zona expositiva do primeiro andar, será comissariada por Jorge Carvalho, Pedro Bandeira e Ricardo Carvalho. O catálogo desta exposição será uma obra programatica da instituição.

A exposição será complementada, ao longo dos quatro meses de duração, por um programa de debates, conferências e visitas, coordenado por Roberto Cremascoli, que com Nuno Grande foi responsável da representação de Portugal na Bienal de Veneza deste ano.

Outra novidade: João Rodeia está à frente da equipa que vai selecionar as 200 obras iniciais da coleção da Casa da Arquitetura - todas nacionais e todas do pós-25 de Abril: "queremos que seja transversal e demonstrativa de uma época", explica Nuno Sampaio. Terá com ele Ricardo Carvalho e Graça Correia. "Foi pedido aos comissários que envolvam o maior número de arquitetos e garantimos o compromisso de compromisso de tratar arquivisticamente os 200 projetos por forma a, no prazo de um ano ou um ano e meio, estarem disponíveis para mostrá-los ao público".

As três equipas - da primeira exposição, do programa paralelo e da coleção inicial - apresentam amanhã os respetivos programas.

Pensada com três objetivos-chave - a conservação, tratamento e disponibilização de espólios de arquitetos -, a organização de visitas a edifícios construídos (em Portugal e também no estrangeiro) e a realização de exposições - a Associação Casa da Arquitetura reúne as câmaras de Matosinhos (que preside), Porto e Gaia, a Ordem dos Arquitetos, a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Ao todo, são já mais de dois mil os sócios, entre particulares - sobretudo arquitetos - e instituições nacionais e estrangeiras. A administração dos Portos do Douto e Leixões e a Associação Empresarial de Portugal estão também representadas na direção.

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