Tim Etchells será o Artista na Cidade para 2014

Um ano depois da belga Anne Teresa De Keersmaeker, o artista britânico é o protagonista da programação. Exposições, espetáculos e leituras integram a agenda ontem apresentada.

A segunda edição do bienal Artista na Cidade teve hoje início com um adeus simbólico à artista de 2012, a coreógrafa e bailarina belga, Anne Teresa De Keersmaeker, e a apresentação do novo artista, Tim Etchells, bem como, a programação anual para o projeto. O evento conta esta ano com nove parceiros oficiais: o alkantara festival, o British Council, o Carpe Diem Arte e Pesquisa, o Centro Cultural de Belém, a Culturgest, a EGEAC, o Teatro Maria Matos, o Teatro São Luiz e o Temps d'Images.

Em conferência de imprensa hoje, no Teatro Maria Matos, Rui Catalão aproveitou a ocasião para lançar o livro que criou dedicado à obra e ao trabalho que Anne Teresa desenvolveu enquanto esteve em Lisboa. "Haver espetáculos da Anne não é suficiente, é preciso observar a relação do público com eles", e, segundo Rui Catalão, é isso que o seu livro faz. Numa coletânea de textos e ensaios de vários artistas, são expostas diversas visões e pensamentos sobre o trabalho da coreógrafa, a sua dança, e a dança em geral.

De seguida, coube a Francisco Frazão apresentar esta segunda edição do Artista na Cidade, bem como, o artista escolhido. Para Frazão, "a escolha de Tim foi apenas tornar oficial o que já acontecia". "O Tim já era um artista da cidade; o seu trabalho já tinha sido exposto cá várias vezes. Por isso, na altura de escolher, a escolha foi evidente", explicou. E, não foi só a proximidade do artista a Lisboa que efectivou a escolha mas, também, o facto do trabalho de Tim Etchells "não ser só arte para especialistas". Isso, aliado ainda à sua transversalidade: "tanto podemos assistir a um espetáculo de 6 horas, como a néons; podemos ler um livro ou ver fotografias...", levaram o projeto a nomea-lo Artista na Cidade 2014.

"Como?", Francisco Frazão explica: "Os vários parceiros da iniciativa irão permitir que Tim realize uma performance contínua do seu trabalho expondo em vários locais. Haverá quem veja tudo e quem nem se aperceba do que está a ver".

Para Tim Etchells poder suceder a Anne Teresa De Keersmaeker é um honra. "Braudrillard diz que a principal relação de uma criança com um brinquedo se cria ao pensar como o pode partir. A minha forma de ver a Arte é mais ou menos assim", começou por explicar. O artista britânico, que iniciou a sua carreira em meados dos anos 80, referiu que nessa altura o seu país atravessava uma crise semelhante à atual, e que a interação com o espaço, com o local, as vivência e a sua obra foram influênciadas por isso, tal como agora, embora se desenvolva numa cultura diferente, em Lisboa.

Por fim, Tim referiu, ainda, que existem dois fatores que o atraem particurlamente neste projeto. Primeiro, o facto de poder apresentar toda a gama dao seu trabalho, o que "é único na dimensão e no período temporal". Em segundo lugar, as suas obras em néon serão exibidas em espaços públicos, o que lhes confere uma maior dimensão.

A Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, discursou de seguida. Após um agradecimento especial à artista anterior, Vaz Pinto referiu que "o projeto atua em profundidade na cidade", e "permite estruturar a dinâmica dos programadores". O que é importante, não só monetariamente, mas também para trabalhar a projeção e internacionalização destas iniciativas e da capital portuguesa.

O encerramento da conferência coube ao Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier. "Lisboa, como cidade cosmopolita que é, não terá apenas um artista em concreto na cidade durante o próximo ano. Terá vários. Mas esta iniciativa surge do esforço de várias entidades em conjunto. E isso é muito relevante", começou por afirmar para, de seguida, contrapor a opinião de Tim Etchells, afirmando que "este é um momento diferente". Estamos perante uma crise, existem movimentos de afirmação, de igual modo, mas surge um novo desafio de mudança que, para o Secretário de Estado, passa pela seguinte questão: "Em qual momento os bens, a riqueza, passaram a ser o mais importante?". Para o Secretário, a dada altura todo o artista se rende ao lucro e, para si, "o artista na cidade é imateral".

O Artista na Cidade 2014 tem início a 9 de janeiro com um espetáculo no Teatro Maria Matos, denominado Tomorrow's Parties - As Festas de Amanhã.

Clique para mais detalhes sobre o Artista na Cidade 2014.

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