Terry Gilliam critica Paulo Branco nas redes sociais

O ex-Monty Python acusa o produtor português de não cumprir as suas promessas após adiamento do filme "O Homem que Matou Dom Quixote"

A rodagem de O Homem que Matou Dom Quixote devia ter começado este mês mas foi adiada. O filme de Terry Gilliam com produção do português Paulo Branco tinha sido anunciado em março como o grande projeto da Leopardo Filmes para este ano com um orçamento de cerca de 16 milhões de euros. Mas algo correu mal.

Sobre os motivos do adiamento nada se sabe para já, mas o realizador Terry Gilliam lançou algumas pistas: primeiro, numa entrevista a Jonathan Ross, na BBC2, na semana passada, o realizador explicou que "tinha um produtor, um sujeito português, que afirmou que reuniria todo o dinheiro a tempo", mas, "há algumas semanas, provou-se que ele não tinha dinheiro." Na entrevista não citou o nome do produtor de Paulo Branco.

Mas, ontem, o ex-Monty Python colocou nas redes sociais uma sátira à famosa imagem do leão da MGM mas usando uma fotografia de Paulo Branco, com o título: "Como os filmes são adiados lição 1: tem cuidado com a pessoa em que decides confiar", dando a entender que o português não terá cumprido o que tinha sido acordado. A imagem, aliás, está cheia de referências a pagamentos baixos ou falta de pagamentos, a contratos que servem para ser quebrados e à quebra de confiança no produtor.

Contactado pelo DN, Paulo Branco recusa-se a fazer qualquer comentário.

O Homem que Matou Dom Quixote é um projeto antigo de Terry Gilliam, que foi um dos membros dos Monty Python e é responsável por filmes como Monty Python e o Cálice Sagrado (1975), Os Ladrões do Tempo (1981), O Rei Pescador (1991), 12 Macacos (1995) e Delírio em Las Vegas (1998), entre outros.

Em 2000, Gilliam começou a fazer este mesmo filme, com Johnny Depp e Jean Rocherfort nos principais papéis, mas a produção teve que ser interrompida devido a vários problemas - desde a falta de dinheiro até uma lesão de Rochefort, passando pelas inundações na zona de Navarra, Espanha, para onde estava prevista a rodagem. Esses incidentes são relatados no documentário Lost in la Mancha, de 2002, sobre os infortúnios à volta do projeto.

Gilliam voltou a tentar, mais tarde, com um novo elenco, incluindo John Hurt e Jack O'Connell. Mas, mais uma vez, não conseguiu avançar com o filme.

Em março, Paulo Branco comprou os direitos ao produtor britânico Jeremy Thomas e avançou com o projeto, numa parceria entre a Leopardo Filmes (a sua produtora portuguesa) e a Alfama Filmes (a produtora de Paulo Branco em França). A RTP também se associou à produção. "Não anuncio um filme sem estar praticamente garantido que os financiamentos estão assegurados ou em vias de estar assegurados muito cedo", disse, na altura, Paulo Branco, à imprensa. "Quando anuncio um filme é para fazê-lo."

O Homem que Matou Dom Quixote conta a história de um homem que viaja no tempo e, no século XVII, conhece o herói do romance de Cervantes.

O projeto foi apresentando à indústria em maio no Festival de Cannes, tendo então ficado a saber-se que Adam Driver, Olga Kurylenko estariam no elenco, assim como Michael Palin (também um dos Monty Python), que iria interpretar o papel de Dom Quixote. Na página do filme no base de dados IMDB estão ainda os nomes de várias pessoas da produção, desde a direção de arte ao casting. A rodagem deveria ter começado no dia 3 deste mês e iria passar por Portugal e Espanha, inclusivamente pelas Canárias.

O projeto morreu? Na entrevista à BBC2, Terry Gilliam garante que não desiste: "Não está morto. Estarei eu morto antes do filme." Não estará morto mas, pelo que se vê, não estará em muito bom estado, isso é certo.

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