Simon Scarrow, o arqueólogo literário da Roma Antiga

As aventura do centurião Macro e do perfeito Cato passam-se no ano 52, o que parece agradar a muitos leitores portugueses fãs de A Saga da Águia.

Uma longa fila para autógrafos interrompe a passagem dos leitores na Feira do Livro de Lisboa. E a quase totalidade dos que esperam pela assinatura de Simon Scarrow traz na bolsa a tiracolo meia dúzia de livros do autor britânico que decidiu deixar de ser professor e dedicar-se a tempo inteiro à escrita. Com uma fila tão grande, diz-se ao escritor que valeu a pena largar o ensino e escrever romances históricos, mesmo que muita matéria das aulas de História que dava nas aulas agora seja o cenário dos seus romances.

O mais recente livro de Simon Scarrow chama-se Britannia e é o décimo quarto volume de A Saga da Águia. Tudo se passa no tempo dos antigos romanos, no ano 52, quando os seus dois heróis, o centurião Macro e o perfeito Cato, lutam para erguer o poderio de Roma contra as tribos e os druidas que desafiam a disciplina das legiões romanas.

Para escrever esta saga, bem como os quatro volumes de A Saga de Napoleão e Wellington, em que dois volumes usam Portugal também como cenário, deixar a docência foi a única solução: "Adorava ser professor e tenho saudade desse tempo, mas era impossível escrever dois livros por ano e dar aulas. A dado momento não conseguia dar conta do recado e decidi fazer um intervalo em 2005." Desde aí que só se dedica à escrita: "Sinto falta porque não há nada melhor que trabalhar com jovens". No entanto, não lhe faltam jovens leitores, dos tais que se aproximam carregados de livros e querem falar com o autor.

Escrever era um desejo de Scarrow desde muito jovem: "Ainda criança, inventava muitos argumentos para romances históricos." Quanto ao porquê de existir tanto interesse por parte dos leitores sobre o período escolhido: "Os vestígios romanos estão por todo o lado à volta do Mediterrâneo e isso gera muita curiosidade. Os romanos influenciaram muito a nossa civilização e ainda permanecemos fascinados com a vida deles; das histórias de gladiadores e da vida em Roma." Não deixa de lembrar que o confronto de civilizações entre o Império Romano e dos "bárbaros" dão episódios que lembram a atualidade: "Agora temos os novos bárbaros do Estado Islâmico."

O escritor prefere esta temática a todas as outras que já escreveu, como dois romances passados durante a II Guerra Mundial. Os tempos mais recentes não o atraem, como explica: "Creio que só se pode escrever sobre o que há certeza histórica, ou seja, após a passagem de umas boas décadas sobre os acontecimentos. O julgamento da História demora para ser consistente." Acrescenta: "E não gosto de escrever sobre situações de pessoas que ainda estão vivas."

Neste momento, Simon Scarrow escreve o 15º volume da saga. Como é que inventa tantas histórias? "Eu não preciso de pensar muito. Sento-me a escrever e a história vem ter comigo. O império romano está repleto de episódios que têm de ser contados..." E a entrevista tem de ser interrompida porque a fila já tem muitos leitores à espera do autógrafo do autor de A Saga da Águia.

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