Salvador Sobral, de Kiev para os festivais de verão

O cantor português tem concertos esgotados, o disco de originais vai para a terceira edição, o tema vencedor da Eurovisão está nos tops do itunes e vai atuar no Festival Super Bock Super Rock. É Salvador em todas as frentes

À chegada a Lisboa, Salvador Sobral admitiu não saber como lidar com a fama e a glória que a vitória no Festival Eurovisão da Canção lhe proporcionaram. Para já o fenómeno originado pela interpretação de Amar pelos Dois teve um efeito imediato: vai preencher a agenda do músico. Além do concerto de sábado em Marco de Canaveses (ver texto ao lado), outros dez estavam anunciados para a digressão do espetáculo de promoção do disco Excuse me. Para quase todas as datas (incluindo o grande auditório do Centro Cultural de Belém e a Casa da Música) não há bilhetes. As vendas multiplicaram-se nos últimos dias e, como tal, haverá "muitas novidades em breve", prometeu a responsável pelo agenciamento do músico, Ana Paulo. A responsável da empresa Fado in a box, que informa que "os concertos do Salvador sempre estiveram muito compostos antes do Festival", aponta para "muitos mais" espetáculos. E elogia o artista: "Uma coisa é o CD, outra é o magnetismo ao vivo do Salvador, não faz dois concertos iguais".

Entre os palcos maiores de Salvador Sobral está, para já, o festival Super Bock Super Rock. "O Salvador tem vários projetos e já esteve comigo no Vodafone Mexefest. E tem um projeto novo no Super Bock Super Rock com o Júlio Resende", anunciou Luís Montez, diretor-geral da promotora de espetáculos Música no Coração. O trabalho com o pianista Júlio Resende chama-se Alexander Search, heterónimo inglês de Fernando Pessoa, em que Sobral canta em inglês. O espetáculo já foi apresentado no Folio e na Casa Fernando Pessoa, no ano passado. E deverá ser este que ambos vão levar ao Festival Super Bock Super Rock, em data e palco a anunciar.

Questionado se é de prever que Salvador Sobral possa vir a participar noutros festivais de verão, Montez não fecha a porta a essa hipótese: "As canções que ele tem são para toda a gente. Desde que tenham coração sentem a música dele. Vamos ver."

O outro grande promotor de espetáculos em Portugal é Álvaro Covões, da Everything is New, também vê o músico em festivais, mas com uma nuance: "O Salvador tem uma formação de jazz, portanto todos os festivais que têm palco onde o jazz cabe fazem sentido." Quanto a outros espaços, como o Coliseu dos Recreios de que é proprietário, Covões não galga a onda de popularidade: "Não me parece que seja esse o seu caminho. O objetivo vai ser continuar a fazer o seu trabalho e apostar nas salas apropriadas. E quem decide isso é o responsável pela carreira dele. Toda a gente tem orgulho no que alcançou, mas obviamente ele vai querer que as pessoas o apreciem pelo trabalho que ele faz."

E esse trabalho, registado no álbum Excuse me, recebe cada vez mais atenção: a segunda edição está esgotada. Nas lojas ainda há discos "mas como está a vender muito bem, há mais pedidos, e o stock no armazém esgotou", uma terceira edição está a caminho, informou ao DN Lola Coelho, promotora da Valentim de Carvalho. No total são 10 mil cópias - um número digno de registo no atual quadro da indústria discográfica. Por coincidência, a gravação decorreu nos estúdios da Valentim de Carvalho e só depois foi lançado pela própria editora. "Quando nos mostrou o disco quisemo-lo imediatamente", recorda.

Já Amar pelo Dois continua a fazer o caminho de sucesso: é número um em Portugal no Spotify e no itunes. Nesta última plataforma digital atingiu o primeiro lugar noutros nove países, de Espanha à Finlândia e quatro segundos lugares em mercados como a França e a Alemanha. Na rádio, a Sony Portugal informa que o tema está a fazer parte das escolhas de estações na Polónia, Alemanha e Itália. Em Portugal, a canção composta por Luísa Sobral está nos 50 mais. "Agora vai toda a gente passar a canção, mas pergunto se quem faz as playlists das rádios generalistas teriam a coragem de a colocar em airplay por ser em português", pergunta Luís Montez. "Foi uma vitória da música em português. E é a força da canção. As canções é que movem montanhas", conclui.

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