Reino Unido sai da UE, mas entra na Casa da Música em 2017

Programação para o próximo ano da instituição portuense foi hoje divulgada. 2017 será o "Ano Britânico" e contará com a presença do grande Harrison Birtwistle como Compositor em Residência. Abertura Oficial é nos dias 20 a 22 de janeiro

Foi terra que ganhou a fama (imerecida) de ser "o país sem música", muito por "culpa" da ausência de grandes compositores entre o desaparecimento de Handel e o surgimento de Edward Elgar. Mas em 2017 a Casa da Música (CdM) vai mostrar toda a riqueza e pujança da música britânica, dedicando o ano à música e aos autores dos países do Reino Unido. A programação foi apresentada esta quarta-feira (dia 16) em conferência de imprensa.

Pujança que talvez nunca tenha sido tão grande quanto na atualidade: autores como Peter Maxwell Davies (falecido em março deste ano), James Dillon (n. 1950), Rebecca Saunders (n. 1967), Julian Anderson (n. 1967), Thomas Adés (n. 1971), Oliver Knussen (n. 1952), George Benjamin (n. 1960) ou Brian Ferneyhough (n. 1943) marcarão presença em muitos concertos ao longo do ano, coroados pela figura incontestável de Harrison Birtwistle (n. 1934), hoje o grande patriarca da moderna música britânica e que será Compositor em Residência ao longo de todo o ano, com o que tal implica de numerosas obras suas a serem ouvidas na CdM. A estes nove se pode ainda juntar Ryan Wigglesworth (n. 1979), mais conhecido quiçá como maestro, e que será Artista em Associação em 2017.
A somar a estes dois compositores, a Casa "confere" a outros dois o "título" de Compositores em Associação: James Dillon e Luís Tinoco, um português com "marca" britânica.

Dentre as grandes figuras da composição britânica moderna/atual, só notámos duas ausências na programação anunciada: Judith Weir (n. 1954) e John Tavener (falecido em 2013).

Abertura do Ano

A Abertura Oficial do Ano Britânico acontece no fim-de-semana de 20 a 22 de janeiro, logo aí com três obras de Birtwistle a pontuarem os programas. Mas antes disso, já a CdM recebeu o Ano Novo ao som da valsa vienense, num concerto dirigido por Leopold Hager (dia 6).

No dia 8, abre outro dos ciclos que irão marcar 2017 na casa: os Grandes Concertos para Violino. A estreá-lo, a excelente violinista britânica Rachel Podger. Até final do ano, este Ciclo levará à Casa intérpretes como Irvine Arditti (18 fevereiro), Frank Peter Zimmermann (27 maio), Ilya Gringolts (7 novembro) ou Tasmin Little (15 dezembro), interpretando, respetivamente, os concertos de Dillon, Beethoven, Ligeti e Britten.

Deste último compositor, duas obras emblemáticas - dele e do século XX musical - não faltarão: a Sinfonia da Requiem (8 abril) e o Requiem de Guerra (1 outubro).

Outros grande intérpretes britânicos a marcar presença ao longo do ano são o pianista Benjamin Grosvenor (21 outubro), o maestro e cravista Nicholas McGegan (10 novembro), o coro a cappella Tallis Scholars+Peter Philips (14 novembro) e o maestro James Judd (22 dezembro).

Pianistas, maestros e outros solistas

O Ciclo de Piano conta em 2017, para lá do nomeado Grosvenor, com nomes como os de Arcadi Volodos (7 fevereiro), Beatrice Rana, a mais jovem (24 anos) revelação do piano italiano (5 março), Grigory Sokolov (25 abril) ou Seong-Jin Cho, o coreano vencedor do último Concurso Chopin de Varsóvia (7 dezembro). Também Artur Pizarro estará na Casa, mas com a Sinfónica do Porto, interpretando o Concerto de Britten (4 maio).

Entre os maestros que dirigirão a Sinfónica em 2017, referência especial para Joseph Swensen (3 março), abrindo o Ciclo das Sinfonias de Brahms (com a Quarta), cujos episódios ulteriores ocorrem a 2 de junho (n.º 3), 30 de junho (n.º 1) e 15 de dezembro (n.º 2); Michael Sanderling, que virá por duas vezes: a 17 de março para dirigir a Sinfonia n.º 12 de Shostakovitch e a 20 de outubro para dirigir a Sinfonia Alpina de Strauss; Olari Elts (25 março), para dirigir, entre outras, City Noir, de John Adams; Antoni Wit, para dirigir a famosa Terceira Sinfonia ('das Canções Tristes') de Gorécki e o Concerto para Orquestra de Lutoslawski (17 junho); Sylvain Cambreling, trazendo obras de Bernd Alois Zimmermann, Mauricio Kagel e Thomas Adés (23 setembro); Ryan Wigglesworth, a 10 de outubro, com um programa só de compositores britânicos atuais; Takuo Yuasa, dirigindo a 3.ª de Rakhmaninov (24 novembro), além dos já citados Nicholas McGegan (Mozart, Gluck e Haydn) e James Judd (programa russo).

Outros solistas de exceção são a violinista Viviane Hagner (13 janeiro), que tocará o Concerto de Tchaikovsky, o soprano Ruth Ziesak (4 novembro), solista no Requiem de Mozart, e o violoncelista finlandês Anssi Karttunen (18 novembro), que fará a estreia portuguesa de Outscape, para violoncelo e orquestra, de Pascal Dusapin, co-encomenda da Casa da Música.

Obras em estreia e obras de sempre

No plano das estreias, são nove as obras em estreia, incluindo três estreias absolutas de Luís Neto da Costa, Jovem Compositor em Residência 2017. As restantes seis são de autores como Magnus Lindberg (2 de dezembro, com presença do compositor), James Dillon ou Rebecca Saunders, além daquela já mencionada de Dusapin.

Outros eventos que também merecem destaque incluem os concertos que incluem as sinfonias 2 e 3 de Rakhmaninov (31 março e 24 novembro, respetivamente), o Stabat Mater Dolorosa e a Via sacra, de James Dillon (4 e 8 abril, respetivamente), os concertos do Remix e da Sinfónica só com obras de compositores portugueses atuais (13 e 16 maio), a estreia na Casa da Orquestra de Câmara Portuguesa e da Jovem Orquestra Portuguesa (25 junho e 29 agosto, respetivamente), em ambos os casos sob a direção de Pedro Carneiro; a reedição do concerto que juntou Remix Ensemble e Mão Morta em temas destes reorquestrados (8 setembro); o Concerto de Halloween (28 outubro); o recital da "dupla" Burmester+Laginha (25 novembro) e o concerto natalício que inclui a Parte I da oratória Messias, de Händel (23 dezembro).

Fora da Casa, destaque para o concerto comemorativo dos 75 anos do Coliseu do Porto (maio), com a Sinfónica a ser dirigida por Martin André e um programa que junta a Quinta Sinfonia de Beethoven com a 15.ª (e última) de Shostakovitch. Já o Remix irá à Áustria em abril, ao histórico Festival de Donaueschingen (Alemanha), em outubro, e a Milão em novembro.

A restante programação, incluindo os ciclos que costumam pontuar as temporadas da Casa da Música (Invicta Filmes, Ciclo de Páscoa, Música&Revolução, Rito da Primavera, Verão na Casa, Outono em Jazz, À Volta do Barroco, Ciclo de Natal) e um novo, intitulado "O Humor na Música", para além de toda a restante programação, pode ser consultada no site da Casa da Música.

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