Quino: Mafalda diria que o mundo atual é um "desastre" e uma "vergonha"

Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino, criou há mais de meio século a icónica personagem reconhecida por várias gerações

Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino, que criou há mais de meio século a icónica personagem reconhecida por várias gerações.

As aventuras de Mafalda - a contestatária menina de seis anos fã dos Beatles, defensora da democracia, dos direitos das crianças e da paz e detratora da sopa, das armas, da guerra e do James Bond - foram criadas entre 1964 e 1973, mas as mensagens irónicas sobre a sociedade e em prol de um mundo melhor continuam intemporais, segundo o ilustrador argentino.

"Olhando as coisas que fiz todos estes anos, percebo que digo sempre as mesmas coisas e que continuam atuais. É terrível...não?", referiu Quino, numa entrevista à agência noticiosa espanhola EFE por ocasião da Feria do Livro de Buenos Aires.

O criador de Mafalda refere-se aos seus "temas de sempre", como "a morte, a velhice, os médicos e outras coisas", com os quais pretendeu fazer pensar os seus leitores durante várias décadas.

Questionado se essas histórias e outros temas que se manifestam no mundo atual têm uma solução, Quino revelou descrença: "Conhecendo o género humano não acho que exista solução".

Distinguido ao longo da sua carreira com vários galardões, como a Medalha da Ordem e das Letras de França e o Prémio Príncipe das Astúrias da Comunicação e Humanidades, Quino, de 83 anos, reconheceu que gostaria de ser recordado como "alguém que fez pensar as pessoas sobre as coisas que acontecem".

Sobre o panorama atual do seu país de origem, a Argentina, Quino admitiu: "Com muita amargura de ver o péssimo nível de tudo. Um estado de espírito que é extensível à pequena Mafalda, segundo o ilustrador.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG