Quem dá mais por um desenho de Siza Vieira ou de Aires Mateus?

Os preços da venda livre de arte são acessíveis e têm uma causa: ajudar a financiar uma viagem dos alunos da Faculdade de Arquitetura do Porto

E se pudesse comprar um desenho dos arquitetos Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto Moura, ou uma serigrafia de João Luís Carrilho da Graça ou de Manuel Graça Dias, por um preço muito mais baixo do que é habitual? E se o pudesse fazer no auditório Fernando Távora, da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), amanhã à noite?

Na verdade, pode, porque a turma de 2.º ano do Mestrado Integrado em Arquitetura (MIArq) está a planear uma viagem de estudo a Itália e lançou a venda livre de arte "Quem dá mais?" para juntar o dinheiro de que precisa.

A viagem, integrada na cadeira de Projeto - quem convive com estudantes de Arquitetura sabe que é esta a cadeira que, habitualmente, lhes tira muitas horas de sono -, passará por cidades como "Veneza, Pádua, ou Milão", diz ao DN Sofia Borges, uma das alunas da organização da venda que terá início às 21.00 e, como anfitrião, terá o arquiteto, e professor daquela casa, Graça Dias.

Sofia recorda o desenho de um cavalo que Siza Vieira ofereceu, ou Casa em "Prado", de Souto Moura, "que no verso tem uma carta deste ano escrita a computador". Uma carta que, recorda a mestranda, fala de música: "Acho que fala dos The Doors." No total, são 82 as obras que, entre desenhos, fotografias, serigrafias, monografias e esculturas, podem ser vistas - ainda antes da venda - hoje e amanhã, entre as 9.00 e as 19.00 na Galeria da FAUP. Há obras de artistas como Alberto Carneiro, Joana Vasconcelos ou Rui Ferro.

Graça Dias recorda que, na última edição, "uma das obras mais caras foi vendida a uma estudante. Era um desenho do arquiteto Siza. O pai devia-lhe ter dado um teto qualquer para ela arrematar o desenho". "Um dos nossos colegas levou para aí dez. Nós dizíamos na brincadeira que ele estava a fazer um acervo incrível", lembra ainda.

O arquiteto ofereceu uma serigrafia sua do ano passado, que faz parte do conjunto de 12 obras de arquitetos que comissariou para o Centro Português de Serigrafia (CPS). O valor base será entre os 30 e os 50 euros. Para que se perceba o que está em causa, esta serigrafia está à venda por 390 euros no CPS. Outra das obras que fazia parte desse conjunto de 12 serigrafias pertence a Carrilho da Graça, que também a ofereceu aos alunos da FAUP.

"As pessoas esforçam-se por enviar uma peça que tenha alguma graça. Porque a causa é simpática, justa. Estamos muito ligados aos garotos e desejamos que eles façam uma viagem agradável e que possam ir aos sítios todos que eles procuram, e esquematizaram, e que são importantes para a formação deles. É um prolongamento da formação dos alunos, e é por isso que os ajudamos voluntariamente", explica Graça Dias ao DN.

Quanto ao público da venda livre, o arquiteto recorda que na última edição - que em 2014 contou com 40 desenhos - havia alunos e pais de alunos, "muitos professores" mas também "pessoas de fora". Este ano, conta, "contactei alguns galeristas e pessoas que gostam de arte. Espero que apareçam, porque é interessante abrir à cidade".

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG