Quem canta seus males espanta

Florence, Uma Diva Fora de Tom, Stephen Frears

É sempre uma delícia ver a seriedade, e ao mesmo tempo descontração, com que Meryl Streep encara as suas personagens, dir-se-ia, na medida de um segundo bilhete de identidade. A Florence Foster Jenkins que o filme de Stephen Frears "biografa" (e que o cinema já tem explorado) deixa aqui de corresponder ao selo da figura "verídica" para se tornar uma heroína puramente ficcional. E o que dizer de Hugh Grant?

Que saudades desta leveza expressiva - agora com o acréscimo da elegância madura - que ampara a grande ilusão de Florence, tal como um mordomo segura uma jarra com flores prestes a cair ao chão...

Há muito talento em Uma Diva Fora de Tom, que inclui ainda Simon Helberg (A Teoria do Big Bang), no acompanhamento ao piano, com o rosto em impagável aflição. No entanto, desengane-se quem achar que vai passar o tempo todo a rir: este é sobretudo o drama de uma filantropa americana, com ouvido para tudo menos para a desgraça das suas próprias cordas vocais. O que daí deriva é um comovente retrato.

Florence pode ser uma desafinada dos diabos, mas o filme de Frears alcança a nota certa.

Classificação: *** Bom

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