Quatro dias "muito intensos" no Rock in Rio

Roberta Medina garante que a próxima edição do festival Rock in Rio em Lisboa vai voltar a ser muito intensa. A organização apresentou o espaço, já na fase dos últimos preparativos.

É como "parque temático da música e entretenimento" que a vice-presidente executiva do Rock in Rio, Roberta Medina, apresentou a edição deste ano do festival, prometendo quatro dias "muito intensos", a quem nos dois próximos fins-de-semana se deslocar ao Parque da Bela Vista, por estes dias ainda transformado num imenso estaleiro. Aos poucos, porém, tudo começa a ganhar forma, como o DN teve ocasião de comprovar, numa vista guiada ao recinto, que este ano conta com bastantes novidades.

"Quisemos fazer tudo de novo, criando vários espaços de raiz, para conseguir continuar a surpreender o público, tanto a quem vem pela primeira vez como àqueles que nunca falharam uma edição", afirma Pedro Marques, o coordenador de operações do Rock in Rio, enquanto nos mostra o novo Pop District, uma enorme área dedicada à cultura popular, que é uma das grandes novidades deste ano, onde a todo o momento o público pode ser surpreendido por espetáculos de dança com sósias de cantores, atores e personagens de filmes e videojogos.

O Pop District contará com um espaço dedicado ao cinema, onde ocorrerão várias performances e encontros e de atores com o público, com uma arena de gamming - "uma novidade em festivais de música", como realçou Roberta Medina - onde se disputarão várias finais de campeonatos de jogos de vídeo, e com um palco, o Super Bock Digital Stage, com início logo às 12.30 e que promete ser um dos locais mais concorridos do recinto.

A programação deste palco, conforme explicou Roberta Medina, "contará com um pouco de tudo" e será composta por cerca de uma centena de "influenciadores", como foram apresentados por esta responsável, que saltam diretamente da internet para o Rock in Rio. É o caso da bloguer Bumba na Fofinha, do mágico Windoh, do youtuber D4rkframe ou do quarteto Cavalinho da Chuva, composto por Rui Unas, César Mourão, Salvador Martinha e Frederico Pombares.

Ao todo, serão 36 horas de entretenimento puro e duro, durante os quatro dias de festival, promovendo uma interação direta entre o público e os seus "ídolos digitais", muitos deles a deixar os ecrãs para se apresentarem ao vivo pela primeira vez.

Para melhor organizar a circulação do público, a organização do Rock in Rio preparou este ano três rotas temáticas: a rota das selfies, a rota dos brindes (um dos clássicos desde festival) e a rota da gastronomia, que este ano terá uma das suas paragens obrigatórias no novo Time Out Market, composto por 14 bancas de comes e bebes, com a presença garantida de cinco chefes galardoados com estrelas Michelin.

Entre as inúmeras atrações extramusicais do festival, nas quais se mantêm clássicos como o Roda Gigante ou o slide, há ainda que destacar uma réplica, em tamanho real, da TIE Advanced X1, uma das mais famosas naves da saga Guerra das Estrelas, que irá aterrar no Parque da Bela Vista, e um Dino Parque com dez réplicas de dinossauros em tamanho real, onde os mais novos se podem divertir a escavar o esqueleto de um destes animais pré-históricos.

Música para todos os gostos

No meio de tanta animação, é caso para dizer que, o mais difícil é mesmo conseguir arranjar tempo para assistir aos concertos. Serão três os palcos onde o público pode assistir a espetáculos musicais. Uma das principais novidades é o palco instalado na EDP Rock Street, que este ano terá uma programação exclusivamente dedicada à música africana e por onde passarão nomes como o angolano Bonga e os guineenses Tabanka Djaz e Kimi Djabaté (a 23), os cabo-verdianos Ferro Gaita, o luso-cabo-verdiano Karlon e o rapper belga de origem congolesa Baloji (a 24), os angolanos Nástio Mosquito e Jack Nkanga e o músico da Guiné Conacri Moh Kouyaté (a 29) e finalmente a moçambicana Selma Uamusse, o coletivo sul-africano Batuk e o angolano Paulo Flores (a 30).

Com cerca de 450 metros quadrados e 160 módulos de LED, o Music Valley é outro dos novos palcos da Cidade do Rock e contará com 14 horas de música por dia, a cargo de alguns dos maiores nomes da atual música portuguesa, como é o caso de Carolina Deslandes, Moullinex, Da Chick, de HMB, Mishlawi e do coletivo luso-brasileiro Língua Franca (que se irá apresentar com Sara Tavares), dos Capitão Fausto e de Manel Cruz ou de Karetus, Blaya e Carlão. Este palco será também o local das famosas Pool Parties animadas ao som de DJ"s, e de festas que se prolongam noite fora. Depois dos concertos, como a edição especial Rock in Rio da Revenge of the 90"s, marcada para o dia 29, com a presença dos convidados especiais Haddaway, Crazy Town e Ena Pá 2000.

Novo palco principal

Nesta renovada edição do Rock in Rio, também o palco mundo, o principal do festival, se apresenta de cara lavada. "Conseguimos, pela primeira vez, construir um palco cem por cento português", sublinha Pedro Marques. A cenografia é agora formada por painéis côncavos e convexos, de chapa branca (anteriormente o palco era metálico), formando uma rede que "representa a interatividade entre artistas e público". O sistema de som foi também ele reforçado, com oito torres de delay que permitem o som chegar a mais áreas e com melhor qualidade. São 2500 metros quadrados de palco, com 80 metros de comprimento, 27 de altura, 500 mil watts de som e mais de 400 projetores. Quanto à música, começa aqui a ouvir-se às 18.00.

A 23 de junho, o primeiro a subir ao palco é o português Diogo Piçarra, que preparou "um espetáculo especial para esta ocasião, com alguns convidados", como o próprio revelou ao DN. Seguem-se depois as americanas Haim e os ingleses Bastille e Muse, que ostentam o estatuto de cabeças-de-cartaz desta primeira noite.

Para o segundo dia do festival, sábado, 23, o único até à data já esgotado, está reservado o nome mais forte da edição de 2018, o cantor americano Bruno Mars, que nos últimos anos se tem afirmado como mais bem-sucedidos artistas da história da pop, de regresso a Portugal pela terceira vez, depois de dois concertos em nome próprio no Pavilhão Atlântico. Antes, atuam ainda o português Agir, a brasileira Anitta e a americana Demi Lovato.

O segundo fim-de-semana de festival começa, a 29 de junho, com um dia dedicado a sonoridades mais rock e alternativas, com a presença dos britânicos James e The Chemical Brothers, dos portugueses Xutos e Pontapés (que nunca falharam uma edição do Rock in Rio) e dos americanos The Killers.

A despedida desta edição está marcada para 30 de junho e far-se-á ao som da inglesa Katy Perry, que encerra uma noite totalmente no feminino, na qual atuarão ainda a americana Hailee Steinfeld, a brasileira Ivete Sangalo (outra totalista do Rock in Rio) e a também britânica Jessie J.

Entrevista: DA CHICK
"Mostrar-me a quem não conhece"

Este é um festival onde a música parece ser cada vez mais secundarizada. Enquanto artista, como encara essa situação?

É algo que dá que pensar, mas ao mesmo tempo faz algum sentido, porque este é um festival com um perfil mais familiar e entendo que seja necessário criar algumas diversões para entreter as pessoas, ao longo de um dia inteiro.

Será também um festival onde se vai apresentar a um público que provavelmente não a conhece...

Isso é algo que não me preocupa, porque vejo isso como uma oportunidade para me mostrar a quem não me conhece. Tal como não preocupa se vão ser muitos ou poucos os que vão assistir ao concerto, porque o meu respeito pelo público é sempre o mesmo. Quero acreditar que lá vão estar algumas pessoas só para me verem (risos).

Que espetáculo vai apresentar?

Vai ser um concerto relativamente novo, que estreei no Musicbox, em Lisboa, há poucas semanas. Vou estar acompanhada por uma banda completa, com secção de sopros e tudo, que dá outra consistência.

Qual é a maior diferença entre tocar num festival e clubes mais pequenos?

Tento sempre que os meus concertos sejam diferentes uns dos outros, independentemente dos locais onde atuo. Irei optar por misturar alguns clássicos com temas meus. É mais fácil agarrar um público, que eventualmente não me conhece tão bem, com umas versões do James Brown lá pelo meio. Acima de tudo acredito que vai ser muito divertido, tanto para o público como para mim, que ainda não dei assim tantos concertos com esta banda e portanto tem também esse lado de novidade.

Há algum concerto de outro artista que não queira perder?

O do Bruno Mars, que nunca consegui ver, das outras vezes que ele esteve em Portugal.

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