Primavera Sound arranca ao som do Funaná

Os lisboetas Fogo Fogo dão o pontapé de saída para mais uma edição do festival, que até sábado vai levar até ao Parque da Cidade, no Porto, cerca de 70 bandas e artistas. Lorde, Tyler the Creator, A$AP Rocky, Grizzly Bear, Nick Cave and the Bad Seeds ou War on Drugs são alguns dos cabeças de cartaz deste ano

Será num ambiente um pouco diferente, daquele onde normalmente atuam, que, hoje à tarde, os Fogo Fogo irão dar o arranque a mais uma edição do Nos Primavera Sound. Afinal, a banda criada por João Gomes (Cool Hipnoise, Orelha Negra) nasceu num contexto de clube, na lisboeta Casa Independente, onde mantêm uma residência mensal na qual recuperaram o espírito dos bailes dançantes de domingo, ao som de uma releitura atualizada do funaná e de outros estilos musicais da África lusófona, que também promete colorir bastante um fim-de-tarde cinzento, segundo as previsões, no Parque da Cidade.

"Já fizemos alguns festivais, daqueles mais ligados às músicas do mundo, e este ano vamos também apostar nalguns festivais de música independente, como é o caso do Primavera", explica João Gomes, o teclista e líder do coletivo, que inclui ainda Francisco Rebelo (baixo), Danilo Lopes (voz e guitarra), David Pessoa (voz e guitarra) e Márcio Silva (Bateria). A mudança de ambiente é encarada com naturalidade pelo músico, até porque, justifica, "os festivais recebem sempre bem a festa e o baile", que os Fogo Fogo tão bem praticam. "Apenas temos de fazer algumas adaptações, porque nos festivais temos de condensar as nossas habituais sessões de 4 horas num espetáculo mais reduzido, que no Primavera será uma espécie de shot rápido, de apenas 45 minutos", explica. "Esta música faz parte da memória coletiva do povo português, que vem logo ao de cima mal começamos a tocar. Mesmo que não o saibam, toda gente conhece o Bongas, os Tubarões ou o Dany Silva e é por isso que quando tocamos em festivais observamos os mesmos sorrisos que estamos habituados a ver na Casa Independente", afirma o músico, que no final do concerto vai "divagar um pouco pelo festival", a ver o que se passa nos diversos palcos - "Não quero perder o concerto do Tyler the Creator, que por acaso também é um dos artistas favoritos da minha filha".

O rapper americano é também um das sugestões de "concertos a não perder" de José Barreiro, o diretor do festival, que destaca também o espetáculo da neozelandesa Lorde, a grande cabeça de cartaz desta primeiro dia de Primavera Sound. "Vem apresentar o último disco, Melodrama, que de certa forma a reabilitou junto do público mais alternativo", salienta este responsável. Uma das principais novidades da edição deste ano é o novo palco Seat, situado logo na entrada do recinto, que segundo José Barreiro "irá competir, em termos de cabeças-de-cartaz, com o palco principal" - é lá que atuam, por exemplo, os Fogo Fogo ou Tyler, the Creator. Já o estado do tempo é que continua "instável", apesar de se esperar uma ligeira melhoria para o dia de hoje. ""As últimas previsões apenas apontavam alguns aguaceiros entre as onze e a meia-noite. Se assim for, é perfeito. Talvez consigamos escapar, literalmente, entre os pingos da chuva", diz José Barreiro com humor.

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