Prémio Mies van der Rohe: a obra dos arquitetos globais

Um é italiano, o outro nasceu em Santiago de Compostela. Conheceram-se em Sevilha, trabalham em Barcelona e ganhar um prémio de arquitetura por uma obra que está na Polónia.

"Ter esta satisfação era o que nos fazia falta". Fabrizio Barozzi di-lo ao telefone com o DN desde Barcelona, onde divide o gabinete com Alberto Veiga. Juntos venceram o prémio de arquitetura Mies van der Rohe pelo projeto que alberga a Filarmónica da cidade de Stettin, na Polónia. "Para nós é o reconhecimento destes anos, por este projeto comprido, difícil", conta.

Trabalham juntos há 10 anos, o projeto na Polónia acompanhou-os quase oito. Só foi inaugurado em setembro de 2014. Foi mais do que o princípio de um novo gabinete de arquitetura, é a história da Polónia a desenrolar-se. Fabrizio Barozzi faz a viagem no tempo "a uma cidade pequena de província na Polónia". "Não havia Schengen [política de abertura de fronteiras e livre circulação de pessoas]", começa por recordar. As dificuldades em comunicar eram imensas. O país tinha aderido à União Europeia a 1 de maio de 2004 e a Filarmónica é encomendada em 2006. "A documentação não podia ser em inglês", destaca. Recorriam a intérpretes e pessoas do escritório que falavam polaco, conta.

Mais: "Foi o primeiro projeto público de grande envergadura que se fez na cidade depois da II Guerra Mundial. Não havia tradição de arte contemporânea". Do outro lado, o dos gestores, também se estava a começar do zero. "Eles não sabiam como se geria aquela encomenda". E a isso ainda se juntavam constrangimentos financeiros. "Tudo isso nos obrigou a tirar partido destas limitações, mas, bom, éramos jovens", diz Fabrizio Barozzi. "Se chegássemos a saber o que se passaria nos oito anos seguintes talvez não nos atrevêssemos".

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