Pedro Pinho vence justamente Prémio da Crítica

"A Fábrica de Tudo", de Pedro Pinho, venceu o Prémio da FIPRESCI na Quinzena dos Realizadores de Cannes. E outros prémios de ontem.

A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho, um dos melhores filmes vistos em Cannes, venceu o prémio da FIPRECI (a mais importante associação de críticos de cinema). Este prémio é coisa rara no cinema português - antes, só Viagem ao Princípio do Mundo, de Manoel de Oliveira, tinha conseguido aqui neste festival tal distinção. Este épico coletivo da Terratreme era ontem também o filme com melhor média de críticas positivas do festival, apenas superado pela unanimidade em torno do fenómeno dos episódios de Twin Peaks, de David Lynch.

Fora da corrida para a Palma também houve ouro em Cannes. L"Atelier, de Laurent Cantet, Western, de Valeska Grisebach, e Le Beau Soleil Interieur, de Claire Denis, foram os títulos que mais consenso criaram, mas uma das descobertas mais apaixonantes terá vindo do cinema indie americano, o belo The Florida Project, de Sean Baker, autor de Tangerine (2015). Desta vez, o cineasta americano assina um conto sobre um motel de Orlando onde o mundo é visto pelo olhar de um grupo de crianças. A pobreza na América de hoje feita com um naturalismo contagiante. Baker deixa a vida acontecer, deixa o cinema improvisar. As crianças não são apenas criaturas queridas, têm perturbação, falam por cima umas das outras. The Florida Project é um carrossel orgânico que se tornou coqueluche instantânea na Quinzena dos Realizadores, tal como Patti Cake$, de Geremy Jasper, comédia dramática que em Sundance foi adquirida pela major 20th Century Fox. Outro relato da América dos desfavorecidos, neste caso em Nova Jérsia, onde uma adolescente obesa acaba por se tornar líder improvável de uma banda de hip-hop. Uma espécie de musical realista filmado com garra e fúria por um realizador que sente a cultura urbana do rap.

No Un Certain Regard, um dos filmes que mais dividiu foi o bizarro La Cordillera, do argentino Santiago Mitre, com um genial Ricardo Darín. Uma história sobre identidades da América, um exemplo de um cinema sério para um público para lá do nicho do filme de autor monocasta.

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