Pedro Costa foi convidado a integrar a Academia de Hollywood

A Academia de Hollywood apresentou a sua lista anual de novos membros: entre os 774 convidados, surge o nome do realizador português Pedro Costa. Se aceitar, o cineasta vai poder votar na eleição dos Óscares

O cineasta português Pedro Costa, autor de filmes como No Quarto da Vanda (2000) e Juventude em Marcha (2006), está na lista de personalidades convidadas a integrar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Neste ano, o organismo que atribuiu os Óscares convidou 774 profissionais das mais diversas áreas - de atores a realizadores, passando por produtores, cenógrafos, músicos, diretores de casting ou relações públicas -, provenientes de 57 países.

É uma tradição anual, mais ou menos no final da primavera: a Academia divulga a lista dos seus convites, na sequência de um processo que não envolve qualquer apresentação de candidaturas, antes resulta de propostas emanadas do interior da sua estrutura, avaliadas pelo corpo administrativo, o chamado Board of Governors. Presidido por Cheryl Boone Isaacs, nele têm lugar três representantes de cada um dos 17 setores da profissão - atualmente, Michael Mann, Steven Spielberg e Edward Zwick são os membros realizadores, estando os atores presentes através de Annette Bening, Laura Dern e Tom Hanks.

Para que um cineasta seja convidado é preciso que se verifique uma de duas condições: ter realizado pelo menos dois filmes, um dos quais nos últimos dez anos, que, de acordo com opinião emanada do comité executivo do setor de realizadores, reflita os "altos padrões da Academia", ou ter realizado um filme nomeado para um de três Óscares (melhor realização, melhor filme ou melhor filme estrangeiro). Podem também ser considerados os que, ainda de acordo com o setor dos realizadores, se distingam por uma "contribuição excecional" nesta área.

A aceitação do convite por parte de Pedro Costa, 58 anos, colocá-lo-á numa posição semelhante à de outro português membro da Academia, o diretor de fotografia Eduardo Serra, podendo, desde logo, participar na votação que conduz à lista de nomeados na respetiva área profissional (Serra já foi nomeado duas vezes para o Óscar de melhor fotografia, com As Asas do Amor e Rapariga com Brinco de Pérola, respetivamente de 1997 e 2003). Além disso, todos os membros da Academia votam para o Óscar de melhor filme.

O convite surge na sequência de um crescente processo de reconhecimento internacional do trabalho de Pedro Costa. Recorde-se que o seu título mais recente, Cavalo Dinheiro (2014), lhe valeu o prémio de realização no Festival de Locarno. Em 2015, o Lincoln Center, em Nova Iorque, dedicou-lhe uma retrospetiva.

64 realizadores convidados

O convite dirigido a Pedro Costa é também um sintoma exemplar de todo um processo de reconversão das estruturas internas da Academia, assumido desde o primeiro momento por Cheryl Boone Isaacs (vinda da área do marketing, é presidente da Academia desde 30 de julho de 2013). O episódio mais mediatizado do tempo da sua gestão terá sido a polémica em torno dos Óscares referentes a 2014, quando os 20 nomeados nas quatro categorias de interpretação foram todos brancos - na altura, a expressão #OscarsSoWhite serviu de bandeira à discussão sobre a falta de diversidade dos Óscares.

Através de uma política empenhada em não reduzir a vida da Academia a uma questão a "preto e branco", Cheryl Boone Isaacs definiu como objetivo principal da sua gestão a consolidação da pluralidade interna. Na cerimónia de 2015 dos prémios do Board of Governors (Óscares honorários atribuídos, desde 2009, no mês de novembro), apresentou mesmo um plano de cinco anos, a que chamou A2020, apostado em promover a diversificação de idade, género, raça, origem nacional e pontos de vista dos membros da Academia.

As 774 personalidades agora convidadas são uma consequência muito direta de tal política (superando o recorde de 683 convites enviados em 2016) e poderão fazer que o número de membros votantes para os Óscares venha a ultrapassar os sete mil.

Pedro Costa integra uma lista de 64 realizadores em que surge um nome "inevitável": Barry Jenkins, autor de Moonlight, vencedor do Óscar de melhor filme no passado mês de fevereiro (Jenkins ganhou o Óscar de melhor argumento adaptado, partilhado com Tarell Alvin McCraney). Entre os outros surgem ainda, por exemplo, os brasileiros Carlos Diegues, Nelson Pereira dos Santos e Kleber Mendonça Filho, o americano Tom Ford (Animais Noturnos), o argelino Mohammed Lakhdar-Hamina (o seu Crónica dos Anos de Brasa foi Palma de Ouro em Cannes 1975), o inglês Guy Ritchie (Sherlock Holmes) e o filipino Brillante Mendoza (cujo filme Mãe Rosa chegou esta semana às salas portuguesas).

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