Padre brasileiro ameaça processar "O Caso Spotlight"

José Afonso Dé foi condenado em 2011 a 60 anos de prisão por abuso sexual de 9 adolescentes. Absolvido em 7 dos casos, o sacerdote indignou-se com citação no filme

Um padre brasileiro ameaça processar os produtores de O Caso Spotlight, vencedor na madrugada de segunda-feira do Óscar para melhor filme estrangeiro, por ter sido incluído numa lista no final da obra que inclui sacerdotes acusados de abusar sexualmente de menores por todo o mundo. José Afonso Dé, o religioso em causa, sempre alegou estar inocente e já foi absolvido de sete dos nove casos de que é acusado.

"Caso o padre venha a ser absolvido em todos os casos isso poderá resultar no direito a exigir indemnização aos produtores por ter sido incluído naquilo que é chamado no filme como A Lista da Vergonha, é caso claro de lesão à honra", disse José Chiachiri Neto, advogado do padre, ao DN. O jurista já equacionava a ação antes de ser atribuído o Óscar ao filme, "mas agora com a exposição muito maior que tem o pedido torna-se ainda mais concreto". Michael Sugar, Blye Faust, Nicole Rocklin e Steve Golin são os produtores de O Caso Spotlight.

"A todos abraço e afago como se meus filhos fossem", disse o padre Dé

Na tal lista no final do filme de Tom McCarthy que aborda a investigação jornalística sobre um caso de abusos sexuais por padres ocultado pela cúpula da Igreja Católica de Boston, e que rendeu um prémio Pulitzer à redação do jornal Boston Globe, surge citada Franca, cidade de cerca de 350 mil habitantes, 400 quilómetros a norte de São Paulo, no Brasil. Ora em Franca o único sacerdote acusado desse crime foi Dé, de 82 anos.

Na ocasião, o padre foi acusado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo pela prática de crimes sexuais contra oito auxiliares de missa, chamados de coroinhas no Brasil, na Igreja da Paróquia São Vicente de Paulo e condenado a 60 anos e oito meses pela 2.ª Vara Criminal de Franca por violação e atentado violento ao pudor. Com recurso acolhido pelo Tribunal de Justiça, foi entretanto ilibado em sete dos casos e vai aguardando em liberdade o desfecho dos outros dois. Um dos desembargadores votou pela absolvição do padre de todas as acusações, mas os outros dois apenas pela absolvição parcial. O advogado aguarda decisão sobre o recurso apresentado para obter a absolvição total.

"Jamais fui libidinoso ou malicioso em quaisquer das minhas atitudes, a todos abraço e afago como se meus filhos fossem, dezenas residiram comigo fosse pelo intervalo de tempo de apenas uma semana, fosse por 14 anos, desses filhos, 20 são hoje bons sacerdotes, reconhecidos onde trabalham", disse o padre meses depois da acusação ao Diário da Franca, um jornal local.

Os auxiliares (coroinhas, no Brasil) acusam Dé de lhes acariciar as pernas e os órgãos genitais após as missas da tarde. Dois afirmaram à imprensa que desistiram da vida sacerdotal pelo sucedido e um garante ter mantido mesmo uma relação com o padre durante um período.

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