Os trekkers portugueses tiveram ontem o seu dia de sorte

"Star Trek: Além do Universo" só chega às salas portuguesas no dia 25, mas ontem alguns fãs da saga assistiram em Lisboa à antestreia do novo filme da saga, antecedida pela exibição do clássico "A Ira de Kahn" em ecrã IMAX

Ainda que Paulo Cardoso seja diretor da Comic Con Portugal, a maior convenção de cultura pop que acontece no país - das séries à banda desenhada, ou do cosplay ao anime - falamos com ele, antes de mais, como quem fala com um trekker. Entenda-se: um fã da saga Star Trek.

Ontem era o dia da antestreia de Star Trek: Além do Universo (Star Trek Beyond), que chega às salas portuguesas no dia 25, e havia um bónus para os fãs que vários passatempos levaram ali. A Ira de Kahn, que Nicholas Meyer realizou em 1982, ainda com Leonard Nimoy (1931-2015) no lendário papel de Spock, seria exibido em ecrã IMAX, numa sessão exclusiva dos cinemas NOS, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

E se tudo o que conhece de Star Trek está entre o gesto da mão aberta em que o dedo anelar e o médio se separam, ou as referências feitas na série televisiva A Teoria do Big Bang ao klingon, uma língua que nasceu na mente do criador da saga, Gene Roddenberry, nos anos 60, deverá saber quem é Spock, das orelhas compridas, única personagem que não é inteiramente humana, mas tem um lado vulcano (um planeta fictício).

Paulo não começou a ver a série televisiva Star Trek logo em 1966, quando foi lançada, "porque ainda não era nascido", ri-se. "Mas foi desde muito novo, foi uma das primeiras franquias que me iniciaram no mundo da cultura pop. E depois, com os primeiros filmes, fui revivendo alguns momentos da série. Existem alguns membros da população que sempre ficaram na mente, e [a nave] Enterprise, o teletransporte..."

Sorri ao ouvir a pergunta que já trazia uma armadilha, acerca da escolha de Justin Lin, que realizou quatro filmes da série Velocidade Furiosa, para a 13.ª longa-metragem de Star Trek, depois de JJ Abrams, autor dos últimos dois filmes, ter passado para o lado da "força" - Star Wars: O Despertar da Força - ainda que seja o produtor de Star Trek: Além do Universo.

A reação dos trekkers quando da divulgação do primeiro trailer pouco teve de simpático, ainda que depois a crítica a contradissesse. "É um grande realizador, estou muito esperançoso que este filme será um grande sucesso. Estou muito curioso. Eu acho que cada vez mais os filmes de ficção científica tentam colocar vários elementos dos restantes filmes, algo de romance, de drama, e a ação está intrinsecamente ligada a estes filmes. Pelo que sei, este filme é um grande filme de ação, mais do que de ficção científica", responde o diretor da Comic Con, que levou vários fãs àquela sessão.

Um fã vindo do futuro

Diogo tem 18 anos e usa uma t-shirt da saga Star Wars. Não por que esteja baralhado. Foi JJ Abrams quem, em 2009, lhe deu a conhecer Star Trek. O pai faria depois o resto, mostrando-lhe a série televisiva - cujo sucesso alimentou 725 episódios - e explicando-lhe o impacto que esta teve para quem, como ele, nos anos 80, a via no canal 1 da televisão. "Quando chegava aquela hora toda a gente queria ver", recorda ao lado do filho. Este último que, se tudo lhe correr de feição, espera trabalhar no cinema, comenta que "o Star Trek é mais realista, tem mais contacto com os humanos do que o Star Wars, que é mais fictício, tem mais seres do espaço".

Quanto ao filme a que assistiria dali a umas horas, e que volta a ter no elenco Chris Pine como capitão Kirk, Zachary Quinto como Spock, Karl Urban como Bones, Zoe Saldana como Uhura e Simon Pegg no papel de Scotty, Diogo diz não ter ficado "muito entusiasmado depois de ver o primeiro trailer, mas pode ser que seja tão bom como os críticos dizem lá na América."

Como é que António se preparou para assistir a Star Trek: Além do Universo? Fácil. Viu os 12 filmes anteriores. O consultor informático, que diz nunca ter acompanhado muito as séries mas vê os filmes desde que se lembra, começou por dizer que este ano havia revisto A Ira de Kahn. Depois acrescentaria: "Estive a rever todos este ano na expectativa do novo." E quanto a esse, lança: "O Star Trek neste momento é mais um filme de ação do que de ficção científica. E portanto neste aspeto penso que [Justin Lin] é uma boa escolha."

Também Vítor haveria de afirmar perentoriamente: "Não tenho saudosismos do passado. Até tendo a gostar mais dos filmes mais recentes, pela espetacularidade dos efeitos especiais, do que dos mais antigos. Se calhar não sou tipicamente aquele fã muito fundamentalista, e portanto não me preocupo muito com as polémicas que vão aparecendo, se há personagens homossexuais ou não. Gosto das histórias, dos efeitos."

Vítor, informático, referia-se a Sulu, que era interpretado por George Takei, e a que John Cho dá vida neste filme em que é revelado que a personagem é gay. Não estranhará quem, em 1968, viu, na série televisiva, Kirk, de pele branca, e Uhura, de pele negra, trocarem um beijo que então seria pioneiro simplesmente por ser inter-racial.

Quem não esteve nas sessões de ontem ainda terá de esperar uma semana para ver Star trek: Além do Universo. A espera será ainda maior, diz Paulo Cardoso, para saber o que prepara o Comic Con para, em dezembro, assinalar os 50 anos de Star Trek.

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