Os Óscares da diversidade

Com a 88ª edição dos Óscares, a Academia de Hollywood celebrou a diversidade em todos os sentidos - no plano social, nas profissões do cinema, no próprio gosto do espetáculo.

Poderia esperar-se que a Academia de Hollywood, em particular através da apresentação de Chris Rock, assumisse uma atitude defensiva face às muitas polémicas desencadeadas pelas presenças (aliás, pelas ausências) de afro-americanos em algumas categorias (sobretudo nas quatro categorias de interpretação). O certo é que não foi isso que aconteceu.

Por um lado, porque o humor de Rock soube lançar algumas elaboradas e sugestivas ideias para, no fundo, nos fazer perceber que não é uma questão banalmente estatística que está em causa; depois, porque o problema da "maior" ou "menor" presença de minorias nos Óscares - e, de um modo geral, nas várias frentes da indústria cinematográfica -- foi inteligentemente reconvertido na questão fulcral da igualdade de oportunidades.

De algum modo, isso ficou refletido também nos surpreendentes resultados finais. Assim, Mad Max: Estrada da Fúria foi celebrado como um exemplo modelar da sofisticação técnica; The Revenant: o Renascido venceu nas categorias decisivas de ator e realização (neste caso, pela segunda vez consecutiva para Alejandro G. Iñárritu, um ano depois de Birdman); enfim, O Caso Spotlight deixou uma mensagem muito forte de defesa dos ideais de um liberalismo que encontra uma expressão essencial, não tanto em qualquer discurso especificamente político, antes na celebração de um jornalismo que se quer socialmente empenhado e deontologicamente irrepreensível.

Tudo isto sem esquecer que os Mínimos protagonizaram o momento mais exuberante da noite, com a sua apresentação do Óscar para melhor curta-metragem de animação. Aconteceu que, a sério ou brincar, importa não secundarizar nenhuma cor, nem mesmo o amarelo.

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