Os belos 83 anos de Shirley MacLaine

IN MEMORIAM Mark Pellington

Na última cerimónia dos Óscares, Charlize Theron homenageou Shirley MacLaine falando da sua personagem em O Apartamento (1960), de Billy Wilder. Um papel marcado pela doçura do seu olhar, tal como em Deus Sabe Quanto Amei (1958), ao lado de Frank Sinatra. Neste In Memoriam, contudo, a MacLaine que encontramos é mais próxima da mulher difícil de Laços de Ternura (1983), o filme que lhe valeu o único Óscar

E se ela é verdadeiramente a razão de ser da narrativa caricata, sobre uma mulher obsessiva que quer supervisionar a escrita prévia do seu obituário, não há muito mais que jogue em favor... Aqui tudo é fabricado para o humor e a lágrima confortáveis. Amanda Syefried, a rapariga que escreve obituários, é uma boa companheira de ecrã, mas nada tem mais vitalidade do que o rosto de 83 anos de MacLaine, a trazer nostalgia ao som dos The Kinks.

Classificação: **

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.