"O triângulo virtuoso das artes fica fechado"

Tem sido o rosto da Casa da Arquitetura, de que é diretor executivo e programador, mas recorda sempre os nomes de Guilherme Pinto, o presidente da Câmara de Matosinhos que morreu em janeiro e foi o impulsionador do projeto hoje em festa

Outro nome que refere sempre é o de José Manuel Dias da Fonseca, presidente da Casa, que fez a primeira grande exposição sobre Álvaro Siza, quando era vereador da Cultura em Matosinhos.

A Casa vai mudar o modo com as pessoas veem os arquitetos?

As pessoas gostam da arquitetura, conhecem os grandes nomes, mas não percebem o papel social e económico do arquiteto, a prática profissional, a realidade do dia-a-dia. A arquitetura não é só uma expressão cultural, essa é a parte mais visível. A sua excelência também deve ser encontrada na excelência da engenharia, das empresas de construção e de toda uma indústria que abastece essa construção e que soube, no caso português, acompanhar os desafios que se impunham. É essa coisa que começou na prática de ir ao carpinteiro, ao serralheiro, ao pedreiro, de trabalhar com diferentes mãos - hoje os arquitetos também cooperam com a indústria. Para ultrapassar imposições das normas europeias, os arquitetos juntaram-se à indústria e encontraram bom desenho e boas soluções técnicas.

Que peso tem este setor?

A arquitetura e a construção representam quase 7 por cento do PIB nacional. Tem de ser reconhecida esta capacidade de atuar no mercado, e bem, e de internacionalizar o setor. Vamos também levar exposições lá fora, fazer ações de divulgação e debate. Além dos profissionais mais conhecidos, há uma geração jovem a dar cartas no estrangeiro. Foi para outros mercados, ganhou concursos e prémios. Muitos foram sozinhos, entraram em grandes estruturas de produção arquitetónica e de engenharia e hoje têm um papel de relevância nesses gabinetes.

Como nasceu esta Casa?

Nasceu há dez anos em Matosinhos, quando foi criado o Centro Álvaro Siza. Dias da Fonseca, então vereador da cultura, hoje presidente da Casa da Arquitetura, fez a primeira grande exposição de Álvaro Siza. Depois, Guilherme Pinto, juntou arquitetos, empresas e instituições à volta da ideia de um museu da arquitetura. O nome Casa da Arquitetura foi sugerido por Belmiro de Azevedo numa reunião alargada, e ficou. É mais do que um museu, é um centro de divulgação, de conhecimento, de investigação. E fecha um triângulo virtuoso na Área Metropolitana do Porto. São as três casas: Serralves, a Casa da Música e agora a da Arquitetura.

Mas esta não é uma iniciativa do Estado central.

Esta arrancou sozinha, uma iniciativa privada com o impulso da Câmara Municipal que construiu o edifício depois de o estado ter negado o apoio a um projeto feito pelo Álvaro Siza. O governo de Passos Coelho não permitiu que nos candidatássemos a fundos comunitários, e a Câmara pagou a totalidade da comparticipação nacional - 7 milhões de euros .

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