O Sol da Caparica dançou o fado

Antes da subida ao palco de Rui Veloso, Ana Moura pôs todos a dançar ao ritmo de "Fado Dançado" e "Dia de Folga".

O que faz Carmo Santos com três bancos de plástico debaixo do braço em frente ao palco principal do Sol da Caparica? "É para ver a Ana Moura. Eu e as minhas irmãs já temos de estar sentadas. Temos todas mais de 70, sabe? Mas viemos e é o que interessa", justificava esta lisboeta que ontem cruzou a ponte para ver ao vivo a sua fadista de eleição, que estava a dez minutos de entrar em cena. Ana Moura era um dos nomes maiores da noite no festival e não se cansou de repetir bem alto onde estava: "Ca-pa-ri-ca."

Ana Moura tinha avisado nas páginas do DN que queria ver o público a dançar, mesmo quem acha que o fado não deve ser dançado. Há outra forma de ouvir Fado Dançado ou Dia de Folga a não ser a abanar o corpo? Claro que não, respondia Florbela Matos que deixava a cadeira para não se voltar a sentar. "Afinal, isto é bom é de pé", justificava. A fadista lá explicou ao público que enchia o recinto que já no século XIX o fado se dançava. E já noite cerrada ia desfiando músicas, principalmente as do novo álbum Moura que conquistou a dupla platina, vendendo 30 mil exemplares.

Dia de Folga e Desfado tinham conquistado os saltos e as vozes do público, quando o concerto de Ana Moura se aproximava do fim, mas as três irmãs não vão arredar pé. Querem arranjar forças e aguentar de olhos bem abertos até cerca da meia-noite e meia, a hora de Rui Veloso, que seria o início do fim da grande noite do Sol da Caparica, já de recinto cheio, que começou a ser embalado ao som da Ala dos Namorados no palco principal, a marcar o regresso com as canções de sempre, depois de ter interrompido a atividade em 2008. À hora de fecho desta edição preparava-se Nelson Freitas, que seria seguido pelos Azeitonas. Miguel Araújo já conhecia a casa. Atuou por aqui no ano passado.

Já no palco Blitz era We Trust que dava o pontapé de saída, à frente de Black Mamba com sons do soul e funk, a que juntaram sensualidade e festa. Ficou animado o público por aqui, vindo minutos depois a mergulhar quase uma hora nas músicas dos Capitão Fausto.

Da noite de sexta-feira ficou a performance dos The Gift perante 27 mil pessoas, segundo números da organização do festival, em que a banda de Sónia Tavares alinhou os maiores êxitos do grupo de Alcobaça - recentes e clássicos - terminando com o encore sui generis, em que a vocalista e Nuno Gonçalves (com um pequeno piano) surgiram, quase num passe de mágica, no meio do público em delírio. Despediram-se com Actress e A Gaivota.

Antes tinha sido a vez de Aurea a estrear-se no Sol da Caparica, o mesmo onde Sérgio Godinho e Jorge Palma celebraram a amizade, interpretando os temas mais célebres, numa espécie de revisão mais descontraída da matéria dada, que contou com a ajuda de peso do público.

Neste domingo o festival da Margem Sul volta a ser das crianças, com canções de roda, lengalengas e outras que tais para um quarteto de peso (Ana Bacalhau, Samuel Úria, Sérgio Godinho e Vitorino). Há um passaporte que dá acesso a 20 aeroportos onde todos podem aterrar para descobrir as aventuras que os esperam no parque urbano da Caparica.

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