O incontornável efeito Isabelle Huppert

ELA, de Paul Verhoeven

Isabelle Huppert não é "só mais uma" a integrar a galeria de impetuosas figuras femininas que atravessam o cinema de Paul Verhoeven. Ela é Ela, com maiúscula, espécie de ponto de perfeição alcançado na fase madura da filmografia controversa do realizador holandês. Esse mesmo que adquiriu reputação com filmes americanos, na década de 1990, e agora está cativo da superioridade da atriz francesa, que lhe dá de bandeja o melhor momento de toda a sua obra. Irónica e perversa, como só Huppert, seguimos com ela a investigação (privada) do homem de cara tapada que a violou em casa, na impactante cena inicial do filme. Com uma inconfundível inteligência performativa, ela acrescenta ao arrastado e ludibriante thriller uma singular tonalidade cómica. Nenhuma atriz o conseguiria fazer com mais propriedade, num filme destes. É algo que se define na sua pele irrequieta de memórias cinéfilas, e ultrapassa a barreira do simbolismo, para se concretizar numa personagem irrepetível.

Sobretudo pela generosidade artística de Huppert, Ela, nesta síntese categórica, é um dos títulos do ano. Arrebatador.

Classificação: ***** excecional

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