O guitarrista que vai sair da sombra do palco

Rogério Cardoso Pires lança primeiro álbum de originais. Estreia-se a solo depois de uma carreira a acompanhar nomes como Rodrigo Leão, João Afonso ou Zeca Medeiros

Nasceu em Pinhel, cresceu na Guarda, ama cada uma delas e também Lisboa, para onde foi estudar Filosofia e acabou por ficar. Não escolhe nenhuma. Rogério Cardoso Pires é enorme e cabem nele estas cidades todas e outras terras também. Tem 55 anos e há muito tempo que é guitarrista acompanhador - de músicos como Michel, João Afonso ou Zeca Medeiros, Rodrigo Leão, de bailarinos nas aulas de dança do Conservatório de Lisboa. Tem nas mãos o primeiro CD de originais, Bagatelas.

Saiu desta espécie de sombra e vai agora enfrentar o palco, com a guitarra: "não é nada fácil. Já corri o mundo com o Luís Guerra, um bailarino brutal, e está toda gente a olhar para ele. Ou para o Zeca Medeiros, ou para o Michel, ou para o João Afonso. Mas estas músicas aqui são minhas e vou ter de as defender. Dentro de mim alguma coisa me lança para isto."

Há anos que compunha músicas e os amigos ouviam-nas e diziam-lhe para gravar. Nunca o fez, "não tinha urgência de gravar". Foi escrevendo o mundo nas 15 canções que se alinham no Bagatelas, saídas da "guitarra acústica de seis cordas de nylon" numa edição de autor. Um desses amigos, com quem nunca tocou, é Sérgio Godinho, que descreve o disco como "uma viagem numa barca de águas tranquilas". Rodrigo Leão destaca a "delicadeza e a sensibilidade" das composições.

Este guitarrista de quem nos falam juntou as notas de Chula numa resposta ao Sr. João (e ele ainda não sabe...), que resmungava com ele e os amigos, adolescentes, quando tocavam músicas mais da pesada no Centro Cultural da Guarda - e no andar de baixo ensaiavam os grupos tradicionais. Já lá vão 30 anos. Ilha Terceira leva-nos ao meio do Atlântico, Depois da Chuva a saltitar nas poças -, aquilo que Rogério fará, de quando em vez, caminhando pela cidade com a guitarra às costas. Mantém o termóstato beirão que o faz andar de calções em dezembro e sorri quando conta que toda a gente se recolhe nos dias de chuva e Lisboa é "toda" dele.

As músicas que foi compondo chegaram ao CD praticamente iguais. "Mudei uma nota ou duas, no máximo." Diz-se "um humilde guitarrista". Aprendeu a tocar com o pai e o avô. Fez o Conservatório, em Lisboa, onde ficou, depois, como "professor acompanhador de aulas de dança no Conservatório de Dança". Até hoje. É no foyer do Conservatório que vai apresentar o disco, a 13 de maio. E vai cobrar "uma entrada simbólica" para ajudar na reconstrução do "belíssimo edifício" de que fala, também, com paixão.

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