O guia (im)possível dos festivais de verão

No ano passado mais de dois milhões de pessoas acorreram a 249 festivais de música em Portugal. Segundo dados do setor, esse número deve ser ultrapassado neste ano. A escolha do público assemelha-se à resolução de um quebra-cabeças: aqui ficam algumas sugestões

Os mais populares

Em ano de pousio de Rock em Rio, e ainda sem novas da portuense Em D"Bandada, é o Sudoeste (dias 1 a 5 de agosto) que mais público deve atrair: Chainsmokers, Crystal Fighters e Jamiroquai são os nomes que encabeçam o cartaz, mas isso é quase um pormenor para o público-alvo. O Alive (6 a 8 de julho) é o evento que se segue a arrastar multidões. A veterania está representada por The Cult, Depeche Mode e Foo Fighters, ao passo que a nova geração está representada por Weeknd ou Imagine Dragons. Em Paredes de Coura (16 a 19 de agosto), a viagem ao passado é com Wedding Present a tocar o álbum de estreia (George Best, de 1987). Mas há muito mais: Beach House, Foals ou Benjamin Clementine, por exemplo. No Crato (23 a 26 de agosto) o alinhamento ainda não está fechado, mas Emir Kusturica & The No Smoking Band, Seu Jorge e John Newman estão confirmados. O cartaz do Primavera Sound (8 a 10 de junho) não será tão luxuoso quanto em edições anteriores, mas Bon Iver, Justice, Aphex Twin, entre outros, farão por merecer a ida ao portuense Parque da Cidade. O Super Bock Super Rock (13 a 15 de julho) faz jus ao nome com Red Hot Chili Peppers e Deftones, mas como também é seu timbre abre-se a outras sonoridades, casos de Future ou London Grammar. O festival mais antigo, Vilar de Mouros (24 a 26 de agosto), traz nomes de outros tempos: Jesus & Mary Chain, Psychedelic Furs, Primal Scream, Young Gods ou Boomtown Rats.

Em português

Não se sabe a popularidade que o novo North Festival, já nos dias 2 e 3 de junho, vai alcançar. O Estádio D. Afonso Henriques recebe uma mescla de nomes em português (de Jorge Palma & Sérgio Godinho a HMB, de Pedro Abrunhosa a Salvador Sobral, de Amor Electro a Regula), mas também o reggae com sotaque de Natiruts. Festival exclusivamente cantado na nossa língua (ou por portugueses) é o Bons Sons, que como sempre se realiza na aldeia de Cem Soldos (Tomar), de 11 a 14 de agosto. Dos seus sete palcos sairão concertos como os de Né Ladeiras, Paulo Bragança ou Virgem Suta. Por fim, mas não menos importante, O Sol da Caparica (10 a 13 de agosto), que este ano tem como referências Carlos do Carmo, Xutos & Pontapés, Mariza e António Zambujo. E que terão ao seu lado Bonga ou Djodje, clássicos e modernos da música africana.

Músicas do mundo

Também poderia estar no destaque da música lusófona, tal a presença portuguesa no Med, que decorre de 29 de junho a 1 de julho. Ana Moura, Helder Moutinho, Rodrigo Leão são alguns dos nomes que jogam em casa, ao lado do regresso do argelino Rachid Taha ou da estreia da Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou (Benim). Se a dupla açoriana Medeiros/Lucas e a cabo-verdiana Lura fazem a dobradinha ao apresentar-se em Loulé e também em Sines, no Músicas do Mundo (21 a 29 de julho), aos dois festivais é transversal a forte presença de artistas cabo-verdianos: além de Lura, há Mayra Andrade e Teté Alhinho no Algarve, Mário Lúcio e Vasco Martins na costa alentejana. No FMM saúdam-se vários regressos, como do angolano Waldemar Bastos, da maliana Oumou Sangaré, do nigeriano Orlando Julius, da portuguesa Cristina Branco e do iraniano Mohammad Reza Mortazavi; estreia-se no castelo de Sines o reggae do marfinense Tiken Jah Fakoly, os sons do Mediterrâneo da grega Savina Yannatou ou o hip-hop do brasileiro Emicida.

Dança e eletrónica

É já na sexta-feira (2 a 4 de junho) que arranca a segunda edição do Les Plages Electroniques, na Caparica. Com o repetente Étienne de Crécy à cabeça, e ainda sem o programa completo, destaque ainda para o esloveno Gramatik e o português Moullinex. Com junho a despedir-se chega o Beach Party, em Matosinhos, com uma delegação holandesa composta por Martin Garrix (que também está confirmado no Sudoeste), Hardwell e Tony Junior. No fim de semana seguinte (7 a 9 de julho), é a vez da Figueira da Foz receber ritmos de dança no meio da areia: o Somnii é considerada pela organização a maior festa de praia da Europa e vai contar com outra embaixada neerlandesa: Armin Van Buuren, Blasterjaxx e Tiësto. Em agosto, de 8 a 14, há trance no Freedom Festival em São Gião, Oliveira do Hospital, e no arranque de setembro (1 a 3) O lendário baterista Tony Allen marca o retorno ao Parque Eduardo VII da eletrónica com o Lisb-On.

Jazz

O Mimo, em Amarante (21 a 23 de julho), não é dedicado ao jazz, mas traz Herbie Hancock - e isso merece a devida loa. O Jazz em Agosto começa dias depois, de 28 de julho a 6 de agosto e, como sempre, faz um levantamento do experimentalismo sonoro: arranca com o saxofonista nova-iorquino Dave Lehman e os rappers HPrizm e Gaston Bandimic e fecha com o trompetista Dave Douglas rendido à eletrónica. No Funchal Jazz (13 a 15 de julho), o agrupamento português liderado pelo acordeonista João Barradas, Directions, tocará com o saxofonista Greg Osby. Outros norte-americanos dignos de nota: Bill Frisell e Charles Lloyd.

Alternativo

Dois nomes sobressaem: Milhões de Festa, em Barcelos (20 a 23 de julho), e Forte (24 a 26 de agosto), em Montemor-o-Velho. Se não conhece o Conjunto Cuca Monga, Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs ou Chúpame El Dedo é rumar ao Minho. Já na vila beirã a estrela da companhia é a norte-americana Lydia Lunch.

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