O drama contra a comédia

Foi uma noite recheada de humor, por vezes metodicamente aplicado até aos seus limites mais incómodos (Ricky Gervais, claro...), por vezes apenas gerido com o génio das coisas simples (Jim Carrey, sempre!).

Em todo o caso, o saldo simbólico da 73ª edição dos Globos de Ouro da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood está mais, muito mais, do lado do drama do que da comédia.

Desde logo, porque esta coisa de distinguir "Perdido em Marte" como melhor musical ou comédia é um simpático absurdo que, aliás, foi ironizado por um gesto do próprio realizador, Ridley Scott, no momento em que recebeu o seu prémio.

Depois, porque a consagração do filme de Alejandro G. Iñáritu, "The Revenant: o Renascido" - melhor filme/drama, melhor realizador e melhor actor -, corresponde a uma clara e muito interessante (re)valorização dos valores mais clássicos e, justamente, mais dramáticos de Hollywood. Trata-se, afinal, de uma revisão crítica das regras do "western" que retoma a herança crítica e política de algum cinema das décadas de 60/70 (Sam Peckinpah é uma referência incontornável). Enfim, a consagração de Leonardo DiCaprio, para além do brilhantismo da sua interpretação, é também a prova de que continuamos a ser tocados pela singularidade os atores. Moral da história: há mais mundos para além dos efeitos especiais.

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