O dia em que o rock mudou de nome

Vince Staples e A$ap Rocky demonstraram na segunda noite do Primavera Sound que o hip-hop é o novo punk

A defesa de causas como o sistema nacional de saúde ou dos "imigrantes que conseguem começar do zero numa terra estranha" não são o tema mais usual nos grandes festivais, mas para os Idles a música apenas um meio para fazer passar uma mensagem sem os filtros do politicamente correto.

A banda britânica foi ontem a primeira a subir ao palco principal do Nos Primavera Sound e aproveitou a ocasião para fazer do concerto um manifesto político, embalado pelos ritmos do punk rock e do grime. Para muitos foi uma total novidade, tal como o country-soul-blues & black metal dos americanos Zeal & Ardor, que logo de seguida atuaram no vizinho palco Super Bock, naquela que seria a primeira de muitas surpresas deste segundo dia de festival, na qual se inclui também o afro-latin-eletro-jazz das duas irmãs franco-cubanas Ibeyi, um dos concertos mais concorridos do palco Pitchfork.

Se este é um festival de descobertas, então o segundo dia do festival serviu também para demonstrar que o hip-hop é definitivamente o novo rock. Pela mensagem, mas também (e especialmente) pela confiança com que artistas como Vince Staples e A$AP Rocky se apresentaram perante um público completamente rendido e conhecedor. Sim, ainda houve o groove jazz de Thundercat, a pop grandiosa dos Superorganism ou a eletrónica épica de Fever Ray, mas, para a história e tal como acontecera no dia anterior, com Tyler, the Creator, o que vai ficar é a imagem destes rappers, a enfrentarem, sozinhos em palco, todo um festival - sem guitarras elétricas.

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