O cancelamento de Ariana Grande e outros incidentes de 2016

Ariana Grande cancelou 24 horas antes, os Korn só tocaram 25 minutos e até a chuva deu um ar da sua graça. Roberta Medina faz o balanço antes de fechar as portas do Parque da Bela Vista até 2018.

Roberta Medina aparenta descontração mas é a primeira a classificar a sétima edição do Rock in Rio, que ontem terminou, de "ano aventureiro". À primeira hora da madrugada de domingo tiveram a confirmação de que a cantora Ariana Grande, que se devia estrear em Portugal, cancelava o concerto.

"Às 11.00 [da noite] soube através de uma mensagem de uma dor de garganta", diz Roberta Medina. O passo seguinte foi falar com a direção artística do festival, e nessa altura chegou o primeiro mail da equipa de Ariana Grande. Primeiro, tratava-se de resfriado muito forte e iam ver o que se passava, à meia-noite tornava-se oficial: havia um "buraco" no cartaz porque a cantora norte-americana não ia poder atuar em Lisboa. A cantora disse, via twitter, ter chorado durante uma hora por não poder estar no Rock in Rio e prometeu compensar os fãs em Portugal.

Estreante de Rock in Rio, Ana Barreto, tinha pena de não conseguir ver Ariana Grande e foi o que confessou ao DN ontem assim que entrou no recinto, às 18.00. Mas nunca pensou devolver o bilhete. "É a minha primeira vez, o meu pai, que já esteve no Rock in Rio em trabalho, falou-me disto", diz a adolescente de 17 anos. Carina Ferreira, também com 17 anos, também só soube de manhã, e nem pensou em pedir reembolso. Para ela o plano era "conhecer a cidade do rock". Isto sim, música para os ouvidos de Roberta Medina. "Esta é grande prova do que a gente vem dizendo. Rock in Rio é mais do que os concertos", disse ao DN, na tenda VIP, apontando para o recinto e para a massa que assistia ao concerto de Charles Puth, e avisando que seria cautelosa no balanço a esta edição, uma vez que o dia ainda não tinha terminado.

Enquanto o público se divertia com Maroon 5, Roberta e a sua equipa de dez pessoas geriam a crise no escritório da produção. Confirmado o cancelamento falaram com o empresário de Ivete Sangalo na madrugada de domingo para que a cantora desse novo concerto. A baiana subiu ao palco às 21.00, com a energia que a caracteriza, e boas palavras para o público português. "É uma parceiraça", considera Roberta Medina. A artista repetiu formato, vestido e penteado (só trocou os sapatos) e voltou a levantar poeira na Bela Vista.

Eram esperadas 50 mil pessoas na Bela Vista mas só após o fecho da edição e feitas as contas se ficaria a saber quantos não entraram e vão pedir reembolso a partir desta terça-feira, dia 31, uma informação que estava disponível desde manhã no site do Rock in Rio e à entrada do Parque da Bela Vista.

O concerto de 25 minutos dos Korn foi outro dos acontecimentos desta sétima edição. A banda só conseguiu tocar quatro músicas, sempre com interrupções e, garante Roberta Medina, nenhuma das propostas feitas pela organização do festival foi aceite. Nem mesmo tocarem com o equipamento do Rock in Rio, após Hollywood Vampires. "Estamos a avaliar se vamos processar, mas é muito complicado. O agente deles é o mesmo de Maroon 5 e estamos negociando outras bandas para o Brasil, em 2017", diz a vice-presidente do evento. "A culpa foi do equipamento da banda. Tivemos três shows que deram certo e um não..."

A situação foi gerida de longe, mas em contacto. "Aqui é como as juntas de freguesia, cada departamento tem o seu responsável. A gente vai estar lá para quê? Só para saber a resposta antes. Não adianta correr para lá". Os Korn, recorde-se, deviam tocar antes dos Hollywood Vampires. Ao primeiro tema, o som foi abaixo. Fizeram uma paragem de cerca de 10 minutos, voltaram, o som voltou a falhar e quando regressaram, mais de meia hora depois, só conseguiram tocar quatro temas. 25 minutos de concerto que deixaram um amargo de boca nos fãs, 200 pessoas fizeram reclamação para verem devolvido o dinheiro dos bilhetes.

Doze anos depois, até a chuva apareceu. "Mas, como no Brasil, ninguém arredou pé", faz questão de notar Roberta Medina, lamentando apenas que tenha acontecido no dia em que mais crianças foram ao festival.

Quanto a números: o dia em que Bruce Springsteen atuou pela segunda vez no Rock in Rio levou 67 mil pessoas ao recinto; Queen e Adam Lambert, 75 mil; Korn e Hollywood Vampires, 56 mil; Maroon 5, 85 mil; o último dia, ontem, rematado com o som de Aviccii teve 50 mil pessoas faltando ainda saber o impacto do cancelamento do concerto de Ariana Grande. Foram distribuídos 60 mil sofás de plástico, mais 35 mil do que há dois anos e os serviços médicos registaram cerca de 400 ocorrências, a maioria traumatismos. Ações de marketing do Rock in Rio geraram 35 mil árvores para o Rock in Rio e em 2018 haverá pelo menos mais uma pessoa no festival. Roberta Medina vai ter o segundo filho em dezembro, e a notícia foi dada em pleno Palco Mundo. Só para sublinhar mais uma frase-chave da comunicação do festival: o Rock in Rio é uma família.

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