Nos bastidores do Festival da Canção

Palco, camarins e sala de aquecimento estão prontos para receber o espetáculo que escolhe o sucessor de Salvador Sobral na Eurovisão.

Cerca de 400 pessoas da RTP estão a trabalhar nas últimas duas semanas no Pavilhão Multiusos, em Guimarães, de onde é transmitido o Festival da Canção. Nos corredores estão espalhados cerca de três quilómetros de cabos, calcula o diretor de produção Carlos Barrocas que o DN encontrou ontem à tarde nos preparativos para o espetáculo televisivo, entre ensaios e ajustes de última hora.

Aníbal Rocha, diretor-executivo da empresa municipal Tempo Livre, que gere o Multiusos de Guimarães faz a visita guiada. A azáfama concentra-se no palco principal, uma estrutura circular com elementos em suspensão, ecrãs e iluminação, desenhado pelo cenógrafo António Polainas e o técnico de luz Rui Prates. Fora do pavilhão, no autocarro para emissões em alta definição, chegam as imagens das 17 câmaras que vão ser usadas no espetáculo. Neste espaço trabalham mais de uma dezena de pessoas, incluindo o realizador Pedro Miguel Martins, que desempenhará esta mesma função no eurofestival, a 12 de maio.

"É um ensaio geral da Eurovisão", concorda Carlos Barrocas. Além da realização também já vai ser testado o sistema áudio para o espetáculo que chegará a cerca de 200 milhões de espectadores espalhados pelo mundo.

O direto começa às 21.15, mas só na madrugada de segunda-feira, após a votação dos sete jurados regionais e de terem sido apurados os votos do público, se conhecerá o vencedor. Os 14 concorrentes ensaiam desde quinta-feira. Ontem, à noite fizeram o primeiro ensaio geral, já com figurinos. Esta tarde voltam ao palco.

Foram seis meses de preparação, calcula Carlos Barrocas. Os primeiros contactos começaram depois da vitória de Salvador Sobral na Eurovisão. "Foi preciso reforçar a rede de wi-fi, a fibra ótica, geradores e as linhas para a emissão em direto para a rádio", conta Aníbal Rocha. A Antena 1 também vai transmitir o Festival da Canção.

As três mil pessoas que vão assistir ao espetáculo apresentado por Filomena Cautela e Pedro Fernandes vão ficar nas bancadas retrácteis com vista para a Green Room. O espaço onde Inês Lopes Gonçalves vai conversar com os músicos fica no lado oposto ao palco. Bancos brancos em forma de meia lua que estavam a ser desembrulhados e limpos ontem à tarde.

O percurso dos intérpretes

Os artistas - Rui David, Susana Travassos, Peter Serrado, Joana Espadinha, Lili, Catarina Miranda, Joana Barra Vaz, David Pessoa, Minnie & Rhayra, Janeiro, Maria Inês Paris, Anabela, Cláudia Pascoal e Peu Madureira - vão sair dos seus camarins, espalhados em salas ao longo de um corredor de 80 metros. Num dos topos, no campo de basquetebol, está a sala de aquecimento que os protagonistas vão usar antes das atuações. Sala de aquecimento não é eufemismo. Há aquecedores de pé junto às mesas e cadeiras. "É um lounge", diz Aníbal Rocha.

Cerca de 3 milhões de pessoas já passaram por esta sala desde a abertura em novembro de 2001. "Ainda corresponde às expectativas, soube-se sempre modernizar ao longo do tempo", afirma. A ocupação do Multiusos de Guimarães foi de 47 semanas em 2017. "Receber o festival é uma outra afirmação do espaço", considera. Estão cheios até dezembro e já com marcações para 2019."Em termos acústicos não é uma Casa da Música, mas é bastante boa, até mesmo quando comparado com outros multiusos", afirma Carlos Barrocas.

"O grande desafio é conjugar a cenografia e iluminação de forma inovadora e com bom gosto, sem interferir com o mood artístico", afirma o diretor de produção ao DN.

A RTP não fez pedidos extraordinários para o Festival da Canção, "foram muitas pequenas exigências", explica Aníbal Rocha. "O que dá mais preocupação é a suspensão de iluminação e ecrãs que são muitos e concentrados, além da organização da sala, em termos de protocolo", detalha, referindo que já têm experiência. Na abertura da Capital Europeia da Cultura, em 2012, receberam o presidente da Comissão Europeia, o Presidente da República e o Presidente da Assembleia da República. E, em palco, 600 participantes. Em 2013, foram 700 elementos de associações desportivas na abertura da Cidade Europeia do Desporto.

Ao todo, 68 pessoas trabalham quotidianamente nos 13 equipamentos geridos pela Tempo Livre, sediada neste edifício. Hoje vão ser o dobro entre segurança, controlo de acessos, assistentes de sala, de sitting e catering. É o restaurante do Multiusos que se encarrega das refeições desta equipa. "Não temos concessão, preferimos ser nós a responder", refere Aníbal Rocha, que, antecipa, esta noite não terá tempo para se sentar a desfrutar da final do Festival da Canção.

"A cidade percebeu a importância do evento", diz Aníbal Rocha, avaliando a rapidez com que esgotou. Na primeira ronda, as entradas foram vendidas em dois dias; na segunda, demorou quatro.

Amanhã, escolhido o representante da Eurovisão, começam as desmontagens. O próximo a entrar em cena, no dia 17, é Matias Damásio.

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