NOS Alive presta homenagem ao hip hop português

No ano em que cumpre a décima edição, o festival terá pela primeira vez um dia dedicado em exclusivo ao hip hop nacional.

Foi uma das grandes surpresas da edição do ano passado, a atuação de DJ Kamala, que o produtor transformou numa espécie de manifesto da vitalidade do hip hop português, convidando para subir ao Palco Clubbing alguns dos maiores nomes portugueses deste estilo musical. O efeito surpresa resultou num dos melhores momentos do festival, com uma verdadeira multidão a vibrar com as rimas de batidas de nomes como Virgul, NBC, Tekilla, Sir Scratch ou Sam The Kid.

O sucesso foi tal que a organização do NOS Alive desafiou Kamala a repetir o feito, com um dia inteiramente dedicado ao hip hop nacional, sob a sua curadoria, que terá lugar amanhã, novamente no palco Clubbing. "O Alive não tinha uma aposta muito cimentada no hip hop e a minha atuação do ano passado, para a qual levei vários convidados--surpresa, todos eles ligados a estilos musicais mais urbanos, teve um resultado estrondoso. As pessoas foram surpreendidas, porque estavam à espera de um set mais de clubbing, mas quando o público percebeu o que estava a acontecer em palco ficou completamente grudado", recorda o DJ e produtor português, para quem a presença desta estética musical "faz todo o sentido", não só naquele palco como no próprio cartaz do festival.

"É daí que surge esta curadoria, não só porque a organização ficou bastante agradada com o resultado do ano passado, mas porque estes artistas têm público para os ver", explica Kamala. Sob o nome "Nós e o Nossos", o alinhamento reúne nomes como NBC, Sir Scratch, Bob da Range Sense, Sam the Kid, Mundo Segundo, Da Chick, MGDVR e Rocky Marciano & Meu Kamba Sound, artistas que segundo Kamala "têm tudo a ver" com a linguagem do festival. "Sou defensor incondicional do que é nosso e tem valor. Concordo que um festival como o Alive aposte em grandes nomes internacionais, mas os tugas também têm público, como ficou provado. E não é só nacional, porque os estrangeiros também ficaram loucos com o que viram", salienta.

O fim do preconceito

À exceção de nomes como Carlão ou Agir, que atuam, respetivamente, amanhã e na sexta, a presença do hip hop continua no entanto residual na generalidade do cartaz do Alive, mas Kamala acredita que algo está a mudar. "A nova música urbana portuguesa sempre foi vista como algo muito underground, especialmente nos festivais, mas agora está finalmente a conseguir ter o tempo de antena que merece." Como se constata pela "total liberdade" que teve, por parte da organização, para construir este espetáculo. "A prova disso foi termos conseguido alguns momentos únicos, preparados especialmente para esta décima edição do festival, como o meu espetáculo com os HMB e o Filipe Gonçalves, no qual, ao longo de uma hora, vamos revisitar temas marcantes da história do hip hop em Portugal ou o concerto conjunto de Bob da Rage Sense, NBC e Sir Skratch, que nunca antes aconteceu." O DJ revela ainda que Da Chick também "está a preparar um espetáculo único e especial" para o Alive.

E Sam the Kid e Mundo Segundo também vão trazer alguns convidados-surpresa. "Tudo seria impossível construir sem essa liberdade de ação", constata. Fará então sentido falar-se ainda em preconceito em relação ao hip hop? "Hoje em dia existe muito menos, porque a própria cultura hip hop teve de se adaptar a uma realidade mais generalista. Antigamente o hip hop era feito apenas para um nicho e hoje já comunica com um público mais amplo", responde. Um fenómeno sentido a nível mundial e que também acabou por influenciar a realidade portuguesa. "O hip hop não se limita só ao rap ou aos beats, a sua génese é uma fusão de estilos e foi isso que trouxe algo de fresco ao mercado mais generalista." Até porque o hip hop não se limita só à música: "É toda uma cultura, com cada vez mais adeptos, que vai da moda às artes de rua." E os próprios festivais, defende, tiveram de se adaptar a esta nova realidade.

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