Nicole Kidman está em quatro obras da seleção oficial de Cannes

Cannes anunciou os títulos para a 70ª edição: muitos cineastas "repetentes" e também importante presença de produtos gerados na televisão e nas plataformas de streaming

O Festival de Cannes continua a ser o grande ponto de encontro das estrelas de todo o mundo? Tendo em conta a programação oficial, anunciada ontem em Paris, podemos apostar que sim. Assim, a 70ª edição do certame (17-28 maio) vai contar, por exemplo, com quatro títulos cujo elenco é liderado pelo nome de Nicole Kidman: The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos, e The Beguiled, de Sofia Coppola, estarão na competição; extraconcurso surgirão How to Talk to Girls at Parties, de John Cameron Mitchell, e Top of the Lake: China Girl, de Jane Campion e Ariel Kleiman.

Mas não simplifiquemos. A descrição de Cannes como uma coleção de passagem de modelos na passadeira vermelha é sempre redutora. O festival faz questão em continuar a ser uma montra das experiências da linha da frente do audiovisual. Neste ano, tal descrição justifica-se tanto mais quanto as produções de raiz televisiva ganham uma invulgar visibilidade.

Top of the Lake, por exemplo, é a segunda temporada de uma série de grande impacto internacional (a primeira surgiu em 2013). Aliás, importa corrigir a nossa terminologia, sublinhando que a mudança, que começou na edição de 2016, tem que ver com a atenção dada ao chamado streaming, isto é, as plataformas audiovisuais da internet.

A Amazon regressa à corrida à Palma de Ouro com o mais recente trabalho de Todd Haynes, Wonderstruck. A grande novidade é a estreia da Netflix, através de Okja, do sul-coreano Bong Joon-ho, com um elenco internacional que inclui Tilda Swinton e Paul Dano, e The Meyerowitz Stories, uma comédia de Adam Sandler dirigida por Noah Baumbach. Como sublinhou Thierry Frémaux, diretor do festival, trata-se de dar a ver obras de realizadores que "usam a arte clássica do cinema" para contar histórias, independentemente das "plataformas" em que os trabalhos circulam. Isto sem esquecer que a recriação de Twin Peaks, por David Lynch, terá também direito a estreia mundial na Côte d"Azur.

O regresso de Haneke

O júri oficial, presidido pelo cineasta espanhol Pedro Almodóvar, irá apreciar um conjunto de 18 longas-metragens (a organização deixou em aberto a possibilidade de acrescentar mais um ou dois títulos à lista apresentada). Confirmando que há uma espécie de "família" de autores que o certame vai acompanhando, vários nomes estão de regresso a Cannes.

O mais "repetente" será o austríaco Michael Haneke, a competir com Happy End, crónica sobre uma família a viver próximo de Calais onde foram recolhidos muitos refugiados. Com um elenco que inclui Isabelle Huppert, Toby Jones e Jean-Louis Trintignant, Haneke é, este ano, o único que pode ganhar uma terceira Palma de Ouro (após as vitórias com O Laço Branco e Amor, respetivamente em 2009 e 2012). Entre os nomes que regressam, estão ainda, por exemplo, a escocesa Lynne Ramsay (You Were Never Really Here), o sul-coreano Hong Sang-soo (The Day after), a japonesa Naomi Kawase (Radiance) e o francês François Ozon (L"Amant Double). Outro francês, Arnaud Desplechin, tem honras de abertura oficial, extracompetição, com Les Fantômes d"Ismaël, protagonizado por aquela que é, atualmente, a estrela mais internacional do cinema francês, Marion Cotillard.

Neste ano, o festival começa um pouco mais tarde do que o habitual, de modo a não se sobrepor às datas das eleições presidenciais francesas (cuja segunda volta está marcada para 7 de maio). Como disse Pierre Lescure, presidente do Festival de Cannes, politicamente, o certame será precedido por um verdadeiro "filme de suspense".

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