Na noite dos Queen, Fergie também foi rainha

Com o recinto cheio que nem um ovo para ver os Queen, a cantora norte-americana foi outra das protagonistas do segundo dia de Rock in Rio, onde o sol de ontem tornou a piscina do palco de eletrónica um dos locais mais concorridos do festival.

Depois do furacão Bruce Springsteen, parecia impossível que ao segundo dia o Rock in Rio tivesse mais gente do que no dia anterior. Mas era precisamente essa a sensação que dava mal se transpunham as portas do recinto. E ao fim da tarde já era quase impossível circular pelos acesos à zona superior do Parque da Bela Vista.

Mesmo sem Freddie Mercury, os fãs dos Queen não faltaram ao encontro com Brian May e Roger Taylor, os restantes membros da lendária banda britânica, que chamaram o norte-americano Adam Lambert para fazer as vezes do carismático vocalista, falecido em 1991. Talvez por isso as expectativas não fossem as mais altas, apesar da enchente. Mas de certeza também por isso o concerto dos Queen acabou por ser uma das maiores e mais memoráveis surpresas desta edição do Rock in Rio.

O autêntico sol de verão que ontem se fez sentir durante todo o dia poderá explicar a madrugadora enchente que a meio da tarde já havia tomado conta do parque da Bela Vista. "Hoje o tempo ajudou, está um calor fantástico", regozija-se Luís Soares, um dos responsáveis pelas badaladas Pool Parties do palco eletrónico, que no dia anterior se revelaram um autêntico flop, devido ao forte vento. Completamente diferente do que podia ser apreciado ontem, com dezenas de pessoas a dançar e a mergulhar à volta e dentro da piscina.

"O espaço tem uma lotação para cem pessoas em simultâneo, mas apenas para 30 dentro da piscina", explica este responsável. As festas prolongam-se até às 21.00, sempre ao som de DJ nacionais (ontem atuaram Paul Day, DJ Poppy e Fauvrelle), passando o espaço, depois dessa hora, a funcionar como área VIP do palco eletrónico, sempre com a piscina aberta a quem desejar ir a banhos.

De toalha e fato de banho

Para aceder ao espaço no período aberto ao público, é necessário fazer parte de uma lista de convidados, à qual se ingressava mediante a participação em passatempos realizados nas semanas anteriores ao festival. "E todos os dias, entre as cinco e as seis, os patrocinadores do espaço andam pelo recinto a distribuir convites", desvenda Luís.

Ou então não é necessário nada disto e basta chegar cedo, como aconteceu com Diogo e Eduardo, de 29 e 19 anos. "Chegámos cedo de Coimbra e fomos dos primeiros a entrar e viemos logo para aqui", conta o primeiro, que já sabia ao que vinha, equipado com toalha e calções de banho. "Vi uma reportagem no Telejornal e decidi arriscar. Não tínhamos pulseira, mas como ainda havia pouca gente deixaram-nos entrar, agora já só saio quando me expulsarem", garante Diogo. Entretanto já deu um par de mergulhos, registados pela câmara de Eduardo, que, como não trouxe calções de banho, faz de fotógrafo privado do companheiro.

Ao contrário dos dois rapazes, Margarida e Catarina, de 19 e 20 anos mantêm-se a um canto afastadas de toda a animação. Vestem fatos de banho cor de laranja e cabe-lhes zelar pela segurança de toda esta gente, mas ainda não tiveram de intervir. "Tínhamos algum receio por causa do álcool, mas todos se têm portado muito bem", confirma Margarida, que tirou o curso de nadadora-salvadora este ano e se estreia aqui nessas funções. A colega Catarina já tem três anos de experiência e talvez por isso não ache tanta graça à surpresa das pessoas por vê-las ali de plantão: "Julgam que somos figurantes. Se calhar é por sermos mulheres e jovens"...

Fergie dominatrix

Bem mais tranquilo era o ambiente no palco Vodafone, onde os portugueses Sensible Soccers iam animando os poucos presentes com a sua música etérea, num cenário que, apesar de com mais gente, não mudou muito com o rock psicadélico dos brasileiros Boogarins. Percebe-se que este é um palco para conhecedores ou descobridores e eles também os há no Rock in Rio, mas não assim em tão grande número.

A esta hora, a animação está toda concentrada na Rock Street, onde as filas se sucedem porta sim, porta sim. "Olha, ali estão a dar cenas", diz uma jovem rapariga ao namorado, puxando-o pelo braço. Mas isso é algo que por ali acontece em todo o lado.

Hora de zarpar para o palco Mundo, onde Fergie, também conhecida por ser uma das vocalistas dos Black Eyed Peas, começa entretanto a atuar. O anfiteatro da Bela Vista está já bem composto, mas ainda se junta mais gente quando a cantora troca o look à Kim Wilde, com que interpretou parte do álbum a solo The Dutchess, por uma roupa ao estilo dominatrix. E foi com botas de latex, biquíni e casaco de cabedal preto que a artista a norte-americana arrancou para uma sucessão de clássicos do rock como Start Me Up, dos Rolling Stones, Black Dog, dos Led Zeppelin ou Barracuda, das Heart. Sim, o dia era dos Queen, mas Fergie foi outra das rainhas da noite.

O Rock in Rio faz agora uma pausa até à próxima sexta-feira, dia em que Johnny Depp e os Hollywood Vampires são os cabeças de cartaz. Seguem-se, no sábado, os Maroon 5 ( e Ivete Sangalo, e os DAMA com Gabriel o Pensador) para no domingo Ariana Grande e Avicii encerrarem o festival.

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