Músicas do Mundo despediu-se de Porto Covo e segue para Sines

A voz quente de Jenifer Solidade foi a maior surpresa do terceiro dia de festival, em Porto Covo. A música continua agora em Sines, com mais de trinta concertos até sábado, 30

Mal começou a cantar, e tudo à volta parou. Apesar de ainda ser pouco conhecida em Portugal, Jenifer Solidade é considerada um dos mais sólidos valores da nova música de Cabo Verde, e, ao terceiro dia de Festival Músicas do Mundo, todos os que estavam em Porto Covo perceberam porquê. A ocasião servia para mostrar pela primeira vez ao vivo, em Portugal, o projeto que junta a cantora ao Quarteto de Carlos Martins e ao pianista, e seu compatriota, Khaly Angel. E se foi a cantar mornas que se deu a conhecer, enquanto vocalista de jazz Jenifer transforma-se numa verdadeira diva, com a sua voz grave a aquecer ainda mais o já de si tórrido fim de tarde deste domingo, 24. Sempre num diálogo intenso com o excelente naipe de músicos que a acompanhavam em palco, a voz de Jenifer parece funcionar como mais um instrumento, como tão bem se percebeu na animada desgarrada com o saxofone de Carlos Martins, já perto do final do concerto. Pelo meio, não faltaram temas cantados em crioulo, uma versão com balanço africano do clássico Venham Mais Cinco, de José Afonso, ou uma interpretação cheia de swing do fado Feira da Ladra, de Carlos do Carmo, que surpreendeu o público já no encore, tão ruidosamente exigido por todos.

Depois do calor da voz de Jenifer Solidade, o concerto seguinte, a cargo dos britânicos The Unthanks, mais pareceu uma suave brisa primaveril, com as irmãs Rachel e Becky Unthank a transportarem o público até às frias paisagens do norte de Inglaterra. Foi bonito, muito bonito, mas pareceu um concerto um pouco deslocado no tempo e no espaço, especialmente quando a seguir veio o furacão tropical da Wesley Band, um coletivo liderado por Wesley, cantor e compositor haitiano radicado no Canadá, que mais uma vez pôs o Largo Marquês de Pombal num alvoroço, com o seu afro-reggae de sabor caribenho.

O Festival Musicas do Mundo muda-se agora em Sines, onde hoje apresentam-se o espanhol Germán López e trio islandês 1982, ambos no Centro de Artes, bem como o DJ e MC sul-africano Mo Laudí, no Largo Poeta Bocage. Para terça-feira estão agendados outros tantos concertos, com as atuações do quarteto vocal georgiano Alaverdi e do duo arménio-turco Vardan Hovanissian & Emre Gültekin, também no Centro de Artes, enquanto o Largo Poeta Bocage recebe os Colombianos Alibombo. E partir de amanhã, quarta, começam finalmente os concertos no palco principal, situado no Castelo de Sines, que até sábado vai receber 16 espetáculos de nomes como as ucranianas Dakh Daughters, a mauritana Noura Mint Seymali, os norte-americanos do David Murray Infinity Quartet ou o britânico Billy Bragg. Em paralelo com a música, haverá também muitas outras atividades para paralelas, como workshops de construção de instrumentos, diversos ateliers para crianças, feira de livros e de discos ou a 19.ª edição do projeto Verão Arte Contemporânea em Sines.

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