Morreu a cantora Madalena Iglésias

A cantora Madalena Iglésias, que venceu o Festival da Canção em 1966 com a música "Ele e Ela", morreu hoje aos 78 anos em Barcelona.

O velório da cançonetista, que estava numa clínica em Barcelona, Espanha, onde residia, realiza-se hoje a partir das 18:00 locais (17:00 em Portugal), na sala 18 do Tanatório de Collserola, naquela cidade catalã, segundo informou à Lusa fonte familiar.

No Facebook oficial da cantora, os filhos colocaram uma nota dando conta do falecimento, dizendo "Até sempre, Mami": "Madalena nasceu para cantar. E continuará a cantar.". A mensagem é acompanhada da Canção de Lisboa, que diz "quando eu partir, reza por mim, Lisboa".

Nascida em Lisboa, em 1939, Madalena Iglésias estudou no Conservatório e na Escola de Canto e, aos 15 anos, entrou no Centro de Preparação de Artistas da Rádio da Emissora Nacional. Estreou-se na rádio e na televisão em 1954. Seis anos depois recebeu os títulos de Rainha da Rádio e da Televisão, por votação popular.

Em 1964 participa no I Grande Prémio TV da Canção Portuguesa com Balada Das Palavras Perdidas (5º) e Na Tua Carta (10º). Nesse ano vence o Festival Hispano-Português de Aranda de Duero. Nesse ano estreia-se no cinema, ao lado de António Calvário, em Uma Hora de Amor, de Augusto Fraga.

Participa também no filme Canção da Saudade, de Henrique Campos. Com Silêncio Entre Nós fica em 3º lugar no Grande Prémio da TV da Canção.

Ao mesmo tempo, apresentava-se em países como Venezuela, França, Brasil, Angola, Moçambique, Colômbia. Gravou para a discográfica Belter e concorreu a diferentes festivais internacionais, como o Palma de Maiorca e o de Aranda del Duero, que venceu em 1964.

Madalena Iglesias grava também uma versão de Sol de Inverno. 1965 é também o ano de Poema de Nós Dois, tema do filme Passagem de Nível de Américo Leite Rosa. A banda sonora deste filme é de Manuel Paião e Eduardo Damas.

Vence o Festival RTP da Canção de 1966 com Ele e Ela, um tema da autoria de Carlos Canelhas em estilo "surf". Rebeldia fica em 3º e Caminhos Perdidos obtém o 6º lugar. Em todos os temas foi acompanhada pela Orquestra de Jorge Costa Pinto. No Festival Eurovisão da Canção (1966) obtém grande sucesso e Él Y Ella, a versão em espanhol, é editada em Espanha, França e Holanda.

Nos anos seguintes, edita vários EPs, com temas que se tornaram populares como Amor e Saudade Vai-te Embora. Em 1968 fica em quarto lugar nas Olimpíadas da Canção com Tu Vais Voltar e vai ao Festival do Rio de Janeiro onde interpreta Poema da Vida. Participa novamente no Festival RTP da Canção de 1969 com Canção Para um Poeta.

Em 1971, participou no I Festival da Canção de Caracas "Onda Nueva", onde interpretou com António Calvário os temas Para Falar de Esperança e Improviso à Solidão.

Em 1972 casou-se e abandonou a vida artística, tendo ido viver para a Venezuela. Morou também em Espanha mas voltou a Portugal em várias ocasiões para participar em homenagens e outros eventos. Em 1989, Filipe La Féria apresentou na Casa da Comédia o musical What Happened To Madalena Iglésias?, tendo por base a rivalidade conhecida entre Madalena e Simone.

Em 2009 foi lançada a fotobiografia O Meu Nome é Madalena Iglesias, de autoria de Maria de Lurdes Carvalho. Nessa altura, afirmou numa entrevista que sempre se sentiu perseguida pelo complexo da beleza, apesar de reconhecer que "estava à frente" do seu tempo. No texto de abertura da sua fotobiografia, a cantora referiu-se à sua carreira, que ultrapassou as fronteiras nacionais, como "um caminho percorrido com entusiasmo, alegria, êxitos e algumas nuvens", e garantia: "Tenho um pouco do que vibrei!". E concluía: "Ao escolher a minha profissão/vocação, a procurei cumprir sempre com rigor e muita dignidade."

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG