Memória do novo edifício da Assembleia vai para a Casa da Arquitetura

A Casa da Arquitetura (CA) e a Assembleia da República (AR) vão assinar, na segunda-feira, um protocolo de colaboração para o "Tratamento arquivístico dos projetos dos edifícios da Assembleia da República", foi hoje anunciado.

A cerimónia de assinatura vai contar com a presença do Presidente da AR, Eduardo Ferro Rodrigues, da presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, e do presidente da Casa da Arquitetura, José Manuel Dias da Fonseca, de acordo com os comunicados das duas instituições.

Através deste protocolo, a AR cede à CA, "a título de empréstimo, elementos de arquitetura do seu espólio (projetos, memórias descritivas, maquetas, fotografias, processos administrativos) relativos aos edifícios do Parlamento (Palácio de São Bento e Novo Edifício), para digitalização e posterior divulgação através da base de dados da CA e de exposições", lê-se no comunicado do parlamento.

A CA, por seu lado, destaca o facto de os elementos a serem conservados dizerem "respeito a várias fases" dos edifícios da AR, "nomeadamente a adaptação do Mosteiro de São Bento da Saúde a Parlamento", a sua reconstrução, e as "intervenções produzidas durante o Estado Novo e a construção do novo edifício".

"Esses elementos consistem, entre outros, em projetos de arquitetura e de construção dos edifícios, incluindo memórias descritivas, telas, projetos de execução, maquetes, peças do concurso relativo ao novo edifício, processos administrativos, fotografias ou cartas", pode ler-se no documento.

O diretor executivo da CA, Nuno Sampaio, considerou que "este protocolo vai ao encontro da intenção da Casa da Arquitetura, de dar a conhecer ao grande público os acervos de arquitetura".

"Espera-se que, no futuro, também possa materializar-se numa exposição, que permita uma nova perspetiva e outras visões sobre o edifício", explicou.

O Palácio de São Bento tem as suas origens no primeiro mosteiro beneditino edificado em Lisboa, remontando a sua construção ao ano de 1598, de acordo com a página do parlamento.

O local definitivo da ordem foi escolhido no início do século XVII, segundo projeto inicial de Baltazar Álvares, tendo sido continuado pelos frades Pedro Quaresma e João Turriano.

Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o edifício foi afeto à instalação das Cortes, ou parlamento.

Desde então, o palácio teve intervenções do arquiteto Possidónio da Silva, autor da primeira adaptação do espaço religioso à função laica, e de Jean François Colson, na segunda metade do século XIX.

Após o incêndio de 1895, o arquiteto Miguel Ventura Terra reformularia todo o projeto, estabelecendo as bases do palácio, como hoje é conhecido.

O novo edifício, que se estende pela praça de São Bento, em união com o edificado histórico, é um projeto de 1996 do arquiteto Fernando Távora.

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