"Marcelo já leu todos os livros que estão nesta feira"

Uma jovem disse o que todos pensavam: Marcelo "já leu todos os livros que estão da Feira do Livro." A cerimónia de abertura da 86ª edição foi um caos durante a presença presidencial.

Atrás do Presidente seguiam a filha e um jovem convidado de 13 anos que gosta de livros, Frederico, filho do escultor Rui Chafes. Não tiveram vida fácil para acompanhar Marcelo Rebelo de Sousa na inauguração da Feira do Livro de Lisboa, onde centenas de pessoas colidiam com outras tantas centenas à direita, à esquerda e à frente. Um caos!

Um verdadeiro reality show, como resumiu um dos visitantes que passeava pelo recinto. Não o disse desagradado, antes com um sorriso nos lábios como 99% das pessoas envolvidas no caos em que se tornou a inauguração da Feira numa tarde apetecível para ir até ao Parque Eduardo VII com os filhos, os carrinhos de bebé, os gelados e o algodão doce, os cães e tudo o mais que se possa imaginar. Até muitos sacos com livros havia.

Ninguém se importou com a confusão, nem o Presidente deixou de ziguezaguear entre os stands de livros cumprimentando uns e outros. Primeiro, os alfarrabistas colocados logo à entrada e que já tinham sido referência destacada no seu discurso de inauguração, por ser pouso certo das suas anteriores idas à Feira. A uns falou, a outros abraçou. No stand de Paulo da Costa Domingos demorou um pouco mais e pediu para pôr de parte uma primeira edição de o Romance de Amadis, de Afonso Lopes Vieira, e A Correspondência de Fradique Mendes, de Eça de Queiroz.

Em seguida, após sucessivas selfies com crianças, adultos e um jovem com a camisa benfiquista de Mitroglou, o Presidente foi avançando freneticamente pela ala direita do Parque, visitando a maioria dos stands, onde observava com a melhor atenção possível a oferta literária. De uns dizia "muito bom", de outros "interessante", pegando em vários exemplares. Nada que uma adolescente não tivesse comentado de forma acutilante: "Ele já leu todos os livros que estão nesta feira. Vou por isto no Facebook."

Diga-se que se fosse uma sondagem de popularidade, o passeio pela Feira teria bons índices. Até entre a juventude que anda pelos 20 anos, como se verificou perante a previsão de um quarteto que via aproximar-se a confusão e fez um prognóstico: "Deve ser o Marcelo!" E era, a deambular entre uma e outra editora, não esquecendo os institucionais: a da Assembleia da República e o da editora da Polícia de Segurança Pública, que estava pela primeira vez na Feira do Livro e não prescindia de um visita presidencial. Para que não se perdesse tal visitante, a mascote Falco posicionou-se bem à sua frente e levou-o de braço dado para a polícia.

Ainda foi saudado pela chef Justa Nobre que o aguardava; obsequiado com ofertas dos responsáveis dos grandes grupos editoriais - Leya e Porto Editora -, e fotografado durante a descida pela ala esquerda do Parque. Duas horas depois, partiu para cumprir novo compromisso. Da sessão inaugural, ficaram ainda as palavras do presidente da APEL, João Amaral: "Saudades das noites de domingo!" Referência à habitual montra de livros durante o seu comentário político dominical.

Saldos literários

A cerimónia de abertura da 86ª edição da Feira do Livro de Lisboa coincidiu com uma primeira enchente do recinto. Às 11 da manhã abriram-se as portas, uma hora depois houve uma parada de mascotes infanto-juvenis, e às 15.00 a cerimónia oficial, que foi antecedida de um concerto da banda do Regimento de Sapadores Bombeiros, que executaram temas muito pop até pouco antes da chegada do Presidente, tendo aí moderado a boa disposição. Aliás, música não faltou: a banda Dixie Land e bombos percorriam a área constantemente.

Tal como acontece em Lisboa, quem entrava no recinto passava por um canteiro de obras generalizado. Antes dos livros, ergue-se uma barreira de comes e bebes pouco típicos: pizzas e bagels. E há um stand com a coleção completa de livros sobre receitas para a Bimby. Salva-se a tradição com a presença da Joaninha das Pipocas, senhora que há décadas vende na Feira - já esteve na Avenida da Liberdade e Terreiro Paço - pipocas e algodão doce (e faz descontos nas visitas escolares).

A partir daqui, se gosta de livros, quem sobe vai em direção ao paraíso. Reencontram-se muitos dos volumes que desapareceram das livrarias; há variedade e novidades para os mais novos; e saldos inesperados em livros ainda menos esperados. Entre os que aproveitaram está Duarte, 41 anos, que já levava um saco com meia dúzia de comics da Marvel: "Não sabia que os ia comprar, tal como não sei o que ainda vou descobrir e me interessará."

Este ano, pode desde já avançar-se após a visita à Feira, não faltam boas surpresas. São 600 pavilhões recheados de muita e boa literatura. Um cenário propício para encontrar o que se gosta. Para usar as palavras ditas pelo Presidente na cerimónia sobre a sua própria experiência enquanto ia como cidadão e mais jovem à Feira do Livro: "Perdia a cabeça." E não é que escolheu este dia para anunciar que decidiu abrir os jardins do Palácio de Belém para ali se realizar uma grande feira do livro. A primeira será no início de setembro. Deixou a garantia: "Não vai ser concorrência à Feira do Livro".

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