Kingsman: o regresso dos agentes secretos vestidos para matar

Entre o sofisticado humor britânico e a ação tipicamente americana, esta é uma das estreias mais esperadas da semana e reúne um elenco de luxo. Colin Firth, Julianne Moore, Jeff Bridges e até Elton John fazem parte do brilho.

Pensar que o primeiro Kingsman começou com uma deliciosa referência a My Fair Lady (1964) tem o seu charme cinéfilo e um toque de inusitado. Recordemos que a história se centrava num jovem vindo da classe média baixa (uma versão masculina de Audrey Hepburn), envolvido em problemas com as autoridades, que era recrutado por um aristocrático espião (nas vezes do professor interpretado por Rex Harrison) para integrar uma equipa de topo. O rapaz fez o seu duro caminho de treino, com muitas provas dadas, e está de volta envergando a atitude de um autêntico Kingsman. Assim como lagarta transformada em borboleta.

É oficialmente membro dessa associação de agentes secretos que dá redobrada importância ao vestuário, como um acrescento de compostura, e por isso, ora o vemos num impecável blazer cor de laranja, ora de fato e gravata mais sóbrios, para trabalho de campo. Qual a missão que justifica a indumentária? Salvar o mundo, naturalmente. Algo que Eggsy (Taron Egerton) aprendeu a fazer com um guarda-chuva às costas, graças ao ilustre mentor Harry Hart (Colin Firth), dono de um inconfundível requinte, que vai do manusear suave dos talheres às artes marciais. E se é verdade que este último tinha sido morto pelo vilão do filme anterior, protagonizado por Samuel L. Jackson, também é verdade que não seria a mesma coisa se ele não ressuscitasse, de alguma maneira, para participar na aventura do novo Kingsman: O Círculo Dourado (a chegar amanhã às salas).

Há sempre forma de providenciar o regresso dos mais desejados, e Colin Firth, o homem que fez questão de dizer ao seu aprendiz que o cavalheirismo vem de dentro e não do sotaque, é certamente a essência desta franchise lançada por Matthew Vaughn em 2014, a partir da banda desenhada de Mark Millar e Dave Gibbons.

O realizador britânico continua assim à frente da orquestra de ação e comédia - em mais uma colaboração com a argumentista Jane Goldman - procurando manter a filosofia de uma violência bem vestida, mas nem por isso feita por medida... Esclareça-se: apesar da montra luxuosa da alfaiataria Kingsman ser a imagem de marca dos filmes (é a fachada da organização secreta), não há talhe que aguente o rocambolesco tecido narrativo. É preciso ser-se desmedido neste tributo aos filmes de espionagem. Por isso, o que se pode esperar deste segundo capítulo é nada menos do que esse tom extravagante do primeiro, uma espécie de vale-tudo que nos encaminha para o imprevisível, sempre com uma banda sonora em diálogo irónico com as situações.

Um convidado muito especial

Por falar em música, um dos momentos altos de Kingsman: O Círculo Dourado pertence a Sir Elton John. O próprio (numa autoficção), que toca e canta Saturday Night"s Alright for Fighting, vestido com o mais exuberante dos seus trajes, coberto de penas coloridas e uns óculos gigantes. Vamos encontrá-lo, raptado, no ninho de uma organização criminosa, O Círculo Dourado, liderada por Poppy (Julianne Moore num ambiente que faz lembrar a excentricidade visual de O Grande Lebowski), onde passa os dias a tocar para a empresária maníaca. O ícone pop é uma de entre os milhões de pessoas afetadas pelo vírus letal provocado pela droga que Poppy comercializa. Um esquema político que vai envolver o presidente dos Estados Unidos, e, antes de mais, os Kingsman.

Desta vez, a equipa fica reduzida ao jovem Eggsy e Merlin (Mark Strong), que se mudam de Londres para o Kentucky, juntando-se ao seu equivalente norte-americano. Chamam-se Statesman, têm o mais cool dos diretores, Jeff Bridges, e são a única esperança da Kingsman para conseguirem derrubar a ameaça de Poppy. No meio de tudo isto, surge o tão esperado Colin Firth, de pala no olho e sem memória, a constituir-se uma missão pessoal para os antigos parceiros, que querem tirá-lo do estado letárgico.

Entre o sofisticado humor british e a ação tipicamente americana, com efeitos especiais e slow-motion que sublinham a já testada veia paródica, Vaughn continua a colocar a ênfase nas suas personagens. E esse é um aspeto particularmente valorizável em Kingsman, tendo em conta a facilidade com que muitos realizadores perdem o rumo dentro do espetáculo de coreografias elaboradas que marca a rotina das grandes produções. É certo que Vaughn está ligado a tal rotina, como o comprovam títulos anteriores - Kick-Ass: O Novo Super Herói (2010) ou X-Men: O Início (2011) - mas há um estilo, uma distinção que torna Kingsman eficaz na sua linha de entretenimento. Prova disso é que muitos espectadores o aguardam, no eco do primeiro filme.

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