Joia que pertenceu à rainha D. Amélia vai a leilão em Hong Kong

Uma joia, com esmeraldas e diamantes, que pertenceu à rainha D. Amélia, mulher do rei D. Carlos, vai a leilão na Sotheby's em Hong Kong, na próxima terça-feira. O Estado português está fora da corrida.

O broche, desenhado em finais do século XIX, com diamantes-rosa, esmeraldas, ouro e prata, tem um valor de licitação entre cerca de um milhão e 1,3 milhões de euros, e é uma das "estrelas" do leilão -- uma das peças que vai à praça por um valor mais elevado.

"A grandeza deste broche reside não só na sua proveniência, mas também nas três atrativas esmeraldas colombianas, que são naturais e sem tratamento de clareza, em que a pedra central pesa uns impressionantes 12,22 quilates", lê-se no catálogo da leiloeira.

As esmeraldas, realça a leiloeira, são "de elevado grau de clareza, raramente encontrado hoje".

"Um broche nobre com estas pedras preciosas importantes" que, segundo a Sotheby's, "atrai tanto aficionados e colecionadores de joias, como conhecedores de gemas".

A joia foi oferecida a D. Amélia, pelo seu padrinho, Luís, duque de Aumale, filho do último rei de França, Luís Filipe, a quando do seu casamento com o monarca português, em 1886.

O broche não se encontrava em mãos portuguesas há décadas, a sua última proprietária foi Gabriele Murdock, que a vendeu à leiloeira Sotheby's, em Nova Iorque, em dezembro de 1999, e anteriormente tinha pertencido a uma princesa da casa real da Jugoslávia, que a tinha vendido também à leiloeira nova-iorquina em dezembro de 1981.

D. Amélia, mãe do último rei de Portugal, D. Manuel II, partiu para o exílio em Inglaterra em 1910, aquando da proclamação da república. Viveu em Inglaterra e mais tarde em França, no seu palácio, em Le Chesnay, a cerca de 17 quilómetros de Paris, onde morreu em outubro de 1951. Em 1945 efetuou uma visita a Portugal.

O Palácio Nacional da Ajuda, onde a rainha D. Amélia viveu e onde se guardam as joias da Coroa, não fará qualquer proposta pelo alfinete de peito que vai agora a leilão. "Nem se coloca a hipótese", afirma o diretor da instituição, José Alberto Ribeiro, considerando os valores em causa para a aquisição da joia, pertença da rainha e não da Casa Real.

(Atualizada às 10.31)

(Corrigida data do casamento de D. Carlos e D. Amélia de 1889 para 1886)

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