Jim McBride, para além da "série B"

Nas vésperas da sua presença em Lisboa, numa sessão da Cinemateca, Jim McBride partilhou com o DN algumas reflexões em torno de "David Holzman"s Diary".

Mais de meio século depois, como é que encara David Holzman"s Diary: uma experiência formal ou uma espécie de autorretrato?

Não é um autorretrato. É o retrato de uma personagem fictícia, de nome David Holzman, que encarna alguns pensamentos e preocupações que, nessa altura, me marcavam.

Era o tempo das novas técnicas ligeiras (câmaras Eclair, gravadores Nagra). Qual a sua importância na definição conceptual do filme?

Foi esse tipo de equipamento ligeiro, juntamente com novas películas, mais sensíveis, que tornou possível entrar em situações de vida real e filmar sem perturbar de modo significativo o que estava a acontecer. Foram essas técnicas que levaram alguns realizadores a pensar que seria possível captar a "verdade" num filme.

Parece-lhe haver algum paralelo entre tais técnicas e algumas câmaras digitais do presente?

As possibilidades criadas pelos novos equipamentos digitais tornam a filmagem da realidade infinitamente mais fácil. Mas não fazem com que a própria "verdade" seja mais acessível do que antes.

Mais tarde, as referências ao trabalho de Godard foram, obviamente, a motivação central para o seu Breathless. Continua a seguir o seu trabalho?

Vi Filme Socialismo e Adeus à Linguagem - interessa-me sempre aquilo que ele faz.

Filmes como Breathless ou The Big Easy eram também tentativas pessoais de revitalizar o espírito da produção de "série B"?

"B" tem algo de depreciativo. Estava apenas a tentar fazer bons filmes.

Duas frases deste tempo são: "a televisão está a matar o cinema" e "o cinema renasce através da televisão". Há alguma verdade em alguma delas?

"O cinema renasce através da televisão" é algo que me soa bem. A televisão e os serviços de streaming estão a oferecer cada vez mais possibilidades para um número crescente de pessoas fazerem cada vez mais filmes de géneros muito diversificados. Alguns deles terão novas propostas e ideias. Alguns deles serão bons filmes.

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