Jean-Michel Jarre regressa com nova versão de "Oxygène"

O músico francês completou a trilogia iniciada há 40 anos, com um disco pioneiro em que lançou pistas para o que viria ser a música eletrónica.

O anúncio já havia sido feito pelo próprio Jean-Michel Jarre há algumas semanas, na sua página oficial, quando revelou aos fãs o lançamento, no dia 2 de dezembro, do novo álbum Oxygène 3, precisamente 40 anos depois do primeiro capítulo da trilogia que fez dele um dos pioneiros da música eletrónica. "Nem gosto assim tanto de aniversários, mas Oxygène foi um disco que mudou a minha vida", começou por dizer o músico e compositor francês, explicando em seguida como lhe surgiu a ideia de voltar a este trabalho. Foi há cerca de dois anos, ainda durante as gravações do último disco, Eletronica, quando deu por si a imaginar como soaria, em pleno século XXI, o seminal Oxygène.

Mais recentemente, quando faltava pouco mais de um mês para o aniversário redondo do histórico álbum, voltou a pensar nisso e deu a si mesmo um prazo de seis semanas para concluir este novo capítulo, tal como havia feito há 40 anos. "Provavelmente, fi-lo para não pensar muito se era uma boa ideia ou não, mas também para gravar tudo de seguida, como antigamente. A ideia não era fazer uma cópia do trabalho original, mas sim manter o dogma de transportar os ouvintes numa viagem do início ao fim do disco, através de diversos capítulos musicais ligados entre si."

Aos 68 anos e com mais de 80 milhões de discos vendidos em todo o mundo, Jean-Michel Jarre é, ainda hoje, um dos mais influentes nomes da música eletrónica, um estatuto para o qual muito contribuiu esse disco de 1976. Quando da sua edição, o músico já tinha lançado outros dois trabalhos, tendo ambos passado quase despercebidos, tal como inicialmente aconteceu com Oxygène, que nos anos seguintes acabaria por vender mais de 12 milhões de cópias, transformando-se no álbum mais vendido de sempre por um artista francês.

Nada mau para uma gravação caseira, feita em tempo recorde, que acabaria por ser o catalisador da carreira de Jean-Michel Jarre enquanto primeira estrela planetária da eletrónica - mas também desta estética como um estilo autónomo e direcionado para as massas, com um lugar próprio dentro do universo da música pop.

"O que tornou o primeiro Oxygène tão especial foi o seu minimalismo, quase sem qualquer bateria", recorda, quatro décadas depois, o artista, que agora quis manter o mesmo ambiente, "apenas através de sequências e da estrutura das melodias".

Mas esses eram os tempos do vinil, o que possibilitou dividir essas estruturas em duas partes, distribuídas, cada uma delas, pelos lados A e B do disco. "Desta vez fiz exatamente o mesmo, com uma parte mais negra e outra mais luminosa, o que faz que Oxygène tenha também ele dois lados", sustenta Jean-Michel Jarre.

O segundo capítulo de Oxygène seria lançado em 1997, com o título de Oxygène 7-13 e, como o nome indica, funciona como uma continuação do disco original, exatamente a partir do ponto onde este terminou. Tal como o seu antecessor, o novo Oxygène 3 apresenta-se como uma única peça de música eletrónica, subdividida em sete momentos melódicos com cerca de 40 minutos (Oxygène 14-20), que volta a esse mesmo caminho, com o objetivo de o levar um pouco mais além.

Também por isso, a arte desta nova encarnação de Oxygène está outra vez a cargo do artista francês Michel Granger. "Era importante fazê-lo", explica Jean-Michel Jarre aos fãs, "devido à capa original ter-se tornado, ela própria, inseparável da música". A primeira amostra do disco foi dada a conhecer há apenas uma semana, com um vídeo de pouco mais de três minutos, intitulado Oxygène, Pt.17 e disponibilizado no YouTube, que mereceu os maiores elogios dos fãs e da crítica.

Ontem, a espera acabou. Quarenta anos depois, Oxygène chegou, finalmente, ao seu destino.

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