Jarmusch celebra Iggy Pop e a herança de The Stooges

O norte-americano Jim Jarmusch trouxe a Cannes o documentário Gimme Danger, sobre a herança musical de The Stooges

Os saltos acrobáticos de Iggy Pop para cima dos espetadores dos seus concertos tornaram-se imagem de marca do lendário vocalista da banda The Stooges. Pois bem, da primeira vez que arriscou tal performance, as fãs ululantes das primeiras filas assustaram-se com tão inesperada figura voadora, abriram alas e... Iggy Pop partiu um dente!

A história está no documentário Gimme Danger, de Jim Jarmusch (seleção oficial, sessões da meia-noite), e envolve uma ironia tanto maior quanto é o próprio protagonista que a narra. O filme é construído a partir de uma conversa do realizador com Iggy Pop, distribuída por vários cenários, e entrecortada por muitos e exuberantes materiais de arquivo.

Depois de Paterson, apresentado na competição, Jarmusch trouxe ao festival este filme que confirma a filiação do seu cinema num universo em que o rock e, em particular, o punk são referências incontornáveis. Em qualquer caso, de acordo com uma postura que confirma o seu estatuto mediático de rebelde, Iggy Pop faz questão em recusar qualquer rótulo que o encerre nas malhas de um "género", sublinhando a singularidade da contribuição de The Stooges para a história das últimas quatro décadas da música popular (culminando nas imagens da sua entronização no Rock and Roll Hall of Fame, em 2010).

A influência de The Stooges na evolução global do rock surge, assim, ligada a um misto de provocação e experimentação que, segundo Iggy Pop, pode e deve demarcar-se das celebrações "coletivas" promovidas pela indústria musical - são particularmente agrestes as suas palavras contra as festas musicais do "amor livre" na Califórnia de finais da década de 60.

Gimme Danger surge como mais um exemplo do modo como o festival tem reforçado a presença dos documentários, discutindo a perceção corrente dos mais variados temas históricos. Este ano, um dos títulos significativos de tal processo é Et la Femme Créa Hollywood, das irmãs Julia e Clara Kuperberg (Cannes Classics), mostrando como a história dos estúdios americanos tem sido, desde os tempos heroicos do mudo, indissociável da contribuição de muitas e talentosas figuras femininas.

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